terça-feira, abril 27, 2010

PERMACULTURA, O SAGRADO E A MODERNA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

PERMACULTURA, O SAGRADO E A MODERNA EDUCAÇÃO AMBIENTAL



Mauro Schorr, Instituto Anima de Cultura e Desenvolvimento Sustentável, e-mail: institutoanima@yahoo.com.br

RESUMO

Este presente trabalho objetiva descrever a relação entre a concepção técnica e cultural que a ciência da agroecologia e da permacultura possui, em sua relação com a educação ambiental e o respeito ao processo de tratarmos nosso planeta, os recursos e o seu presente que é a própria vida, como algo mais sagrado e elevado. Faltam muita vivência e amadurecimento espiritual e uma filosofia de vida mais sustentável no nosso cotidiano, e poucos exemplos são realmente dispostos para as novas gerações, unindo diferentes saberes, disciplinas, interfaces, unidades, uma abordagem holística real enfim, que seja inter, transdisciplinar e transversal. Podemos obter desta forma uma maior qualidade de vida em nossa sociedade e atmosfera pessoal, buscando uma excelência em nosso diálogo vivo com a realidade e nossa realização cultural e espiritual individual e de nosso grupo social.



Palavras-chave: Permacultura, Sustentabilidade planetária, Paradigma holístico, Humanismo, Filosofia de Vida



PERMACULTURA, O SAGRADO E A MODERNA EDUCAÇÃO AMBIENTAL



Educação Quantitativa à Educação Holística e Sustentável



Tab.1: O Choque de Paradigmas e de Hemisférios: um Caminho Comum de Sustentabilidade Mundial ou um Retrocesso da Humanidade



Paradigma Atual Dominante
Paradigma Holístico




Não Cíclico - Linear - Consumista - Balanço de Energia Negativo -

Stress Ambiental
Busca ser Cíclico - Qualitativo - Com um Balanço de Energia Positivo

Não Stressar o Ambiente e a Sociedade

Elitista - Competitivo - Fragmentado
Democrático, Não Competitivo e sim Pedagógico

Manipulação das Massas



Muita propaganda - Excesso de Informações - Excesso de Conversa



Muita Imagem - Muita Superfície



Estruturas de Barro facilmente degradáveis - “ Cultura de Açúcar e de Plástico por dentro “


Informações Essenciais, Pouca Conversa, Profundidade na Abordagem, Silêncio, Meditação Permanente, Economia de Energia



Grande esforço, profundidade, Qualidade-Total, Solidez

Estruturas de Ferro (Trabalho), Aço, Bronze, Prata e Ouro (Sucesso) Cultura de Cristal

O Objetivo Final da Vida: Dinheiro, Mulheres, Poder, Status, Educação Racional, Materialismo, Não Evolução Interior - Não Desenvolvimento do Transpessoal e do Ser Interior
O Objetivo final da Vida: Amor, Doação, Caridade, Serviço, Renúncia, Crescimento Interior, Transpessoalização do Ser, Sabedoria, Grau de Mestre, Buda e Avatar ...




Podemos dialogar sobre esta tabela e concluir pontos importantes para nossa evolução.



Tab.2. Comparação de Paradigmas na Educação Moderna



Educação Convencional
Educação do III Milênio

Excessivo racionalismo mecânico. As informações são recebidas e não compreendidas ou vivenciadas
Seleção das atividades, desconcentração curricular, vivência das disciplinas

Culto ao conhecimento objetivo, utilitarismo científico, materialismo
Vivência das Informações, Seminários, pesquisa extra classe, grupos de estudos, Trabalhos científicos, construção conjunta do pensamento, análise projetiva e histórica

Carga horária estressante
Vivências subjetivas, terapêuticas, arte, música, mística, desprogramação, healing

Sistemas de avaliação baseados no conhecimento objetivo e mensurável através de provas escritas
Sistemas de avaliação com a participação de outros itens como comportamento, assiduidade, responsabilidade, criatividade, grau de interesse

Não interfere no despertar da cidadania e da ética e dos valores sagrados da humanidade
Educação para a paz, para a evolução plena do homem, para a sustentabilidade da Terra

Educação ambiental é confundida com ecologia e sua abordagem política é de cunho ambientalista
Ecologia científica, educação ambiental, educação ecológica, educação transpessoal

Paradigma Newtoniano onde há a dualidade sujeito e objeto, eu e universo, humanidade e natureza
Paradigma Quântico Holográfico: não há dualidade entre sujeito e objeto, há similaridade e compreensão entre níveis de consciências e níveis de energia

Princípio da Separatividade: Matéria, Vida e Informação
Não há princípio de separatividade, a energia é única e indissociável

Leis de Causalidade e Determinismo: toda causa tem um efeito. Há uma Rigidez racional

A + B = C
Complementariedade: Eventos se complementam e se dissociam. A + B = AB + C : Componente Qualitativo. Não há causas determinantes, Sincroniscidade, Campos Morfogenéticos, Lei da Incerteza de Heyserberg

O todo contêm as partes e as partes o todo
Princípio Holográfico: O todo está e pode ir alêm das partes

Pensamento analítico e o absolutismo racional: 3a. dimensão
Relativismo Conscencional: O estado de consciência é que transforma a experiência e o tempo

O aluno é visita e cliente na escola
O aluno é parte e pode se sentir proprietário da escola

O professor é apenas uma engrenagem da escola
O professor é o ator principal, o mestre e o proprietário ou sócio da escola

A escola não apresenta múltiplas funções sociais para a sociedade. Ela possui seu capital acumulativo, e que está estagnado, não cumpre novas funções sociais emergenciais em países do III mundo
A escola possui laboratórios, bibliotecas, computadores, piscinas, esportes, corais, publicações, feiras de ciências, projetos de extensão sociais, distribuição de alimentos, ervas, hortas, remédios, odontologia. A escola do III milênio torna-se um centro holístico de Cura Social para seu bairro e cidade




A Evolução dos III Grandes Paradigmas:



Extrativista ou Natural: era do arado

Industrial ou Reducionista: era da máquina

Sustentável ou Holístico: era da economia ecológica (consciência)



“Observa-se neste fenômeno de Globalização da Economia, que as sociedades dos países menos desenvolvidos adaptam-se a modelos convencionais e globais de desenvolvimento econômico que estão cada vez mais distantes da nossa realidade e capacidade de suporte ambiental. Pois estes modelos de desenvolvimento necessitam de urgentes adaptações, se não podem indiscutivelmente ocasionar a degradação acentuada de quase todos os principais ecossistemas do mundo. E isto pode parecer poesia ou ser um aviso contundente. Assim temos que nos direcionar à: produzir modelos que garantam a sustentabilidade e o aprimoramento máximo da qualidade-de-vida de nossa sociedade. Que restituam e mantenham o mais importante patrimônio que dispomos, a riqueza de nossos solos, recursos hídricos, genéticos e culturais. E a Agroecologia, a Educação Ambiental, a Medicina Holística, entre outros setores, são os principais instrumentos que temos a disposição para serem utilizados em projetos de governo, de forma inter e transdisciplinar e que produzam resultados que sejam fundamentais para todas as gerações”



Tab3. III Paradigmas Atuais ou Estruturas de Desenvolvimento:



I - Era Extrativista Indígena e Agricultura Camponesa:



· Subsistência - Dinheiro é parte não objetivo da riqueza

· Sustentabilidade maior

· Fixação maior do homem e de sua cultura

· Adaptação grande ao Ecossistema, podendo fazer parte do Meio Ambiente



II - Era Industrial:



· Explosão da ciência moderna newtoniana e que analisa a matéria e a mecânica e física do átomo, e a química orgânica e inorgânica

· Porém é fragmentada ou separada das leis naturais da natureza.

· Possui grande dependência da indústria petroquímica, dos agrotóxicos, adubos químicos solúveis e mecanização intensiva de solo.

· Objetivo é o lucro máximo, a fazenda servindo como um mecanismo de produção e não um organismo agrícola sustentável,

· Assim possui grande impacto no ecossistema e pouca sustentabilidade.

· Seu custo financeiro, social e ambiental é muito alto.

· Seu lucro real é baixo. Há a reprodução dos modelos tecnológicos dos países do hemisfério norte como a aração de solo para os países do hemisfério sul, que não possuem neve, mas clima tropical, que necessita de maior proteção ao solo e sua fertilidade.



III - Era da Agroecologia: III paradigma Holístico ou da Qualidade Plena ou Total:



· Agricultura Biodinâmica nasceu em 1910, porém durante toda a idade média utilizou-se a agricultura orgânica com relativo sucesso, sendo substituída a partir dos anos de 1870 em alguns países como a França, Inglaterra e Alemanha pela agricultura químico reducionista.

· Atualmente esta eco-agricultura cresce em media 20 % ao ano, seus mercados remuneram 50 % a mais os produtos, pois seus alimentos possuem mais sabor, qualidade, vitaminas, sais minerais, durabilidade, sua produtividade acompanha a dos modelos da agricultura convencional ou industrial, mas com muito maior e obrigatória sustentabilidade.

· Seu lucro real é maior, ganhando a economia, a sociedade, o ambiente e o próprio futuro.



Tab.4: Diferenças entre Realidades Agrícolas Hemisféricas Mundiais:



Hemisfério Norte
Hemisfério Sul

Desenvolvimento Tecnológico Científico e Racional Desenvolvimento Tecnológico Científico Intuitivo e Sensorial

Economia Industrial
Economia Familiar

Acúmulo de Capital
Descentralização do Capital

Cultura Sedentária, Materialista
Cultura Nômade Espiritual e Mística

Maior Capacidade de imposição de Crenças e Valores Monoculturação
Menor Capacidade de

Imposição de Valores e Crenças

Desenvolvimento Imediatista
Desenvolvimento Natural

Manejo químico, imediatista e automático do meio-ambiente
Dialoga e sente a linguagem do meio-ambiente

Interação Mágica

Estrutura Social Gigantesca e

Pressão de uma Cultura Dominante que valoriza a Homogeneização de Mercado
Sabedoria ancestral, Estrutura Social Pequena, Democrática, respeita e valoriza a diferenciação étnica, com exceções

Custo de Manutenção Político, Militar Energético Altíssimo
Custo mínimo e aceitável de Manutenção do Poder Político.

Grandes condições de Crises e Colapso
Nenhuma capacidade de colapso

Muitos Problemas com Pragas
Não há quase nenhum problema com pragas, poucas pragas

Erosão, Pragas, doenças
Erosão mínima, não há muitas doenças

Solos são arados profundamente e viram Campos de Produção de Alto Consumo Energético
Solos não são arados, viram Sistemas Agroflorestais Produtivos e de Baixo Consumo Energético

Variedades muito produtivas e mais dependentes de nutrientes, umidade, agrotóxicos
Variedades menos dependentes

de nutrientes menos solúveis

Menor Segurança Alimentar
Maior Segurança Alimentar

Maior Concentração de Renda

Individualismo
Menor Concentração de Renda, Cooperação e Integração maior

Concentração de Poder Político e Financeiro – Competitividade
Cooperação, Divisão de Poder

Político, há uma Legislação Ética milenar

Culturas e Ciclos Clímax Industriais baseada em Ciclos limitantes/limitados
Culturas Tradicionais Permanentes e Sustentáveis por Milênios

Necessidades Ecológicas e Sustentáveis, éticas, espirituais, de religação com as leis e ritmos mais naturais
Necessidades Tecnológicas e Educacionais de Ampliação do Conhecimento Racional, Científico e Cultural




(Extraído do Manual Nacional de Agroecologia, Agricultura Biodinâmica e Permacultura para as Áreas Ambientais Brasileiras. Schorr, Mauro. Brasília, 1997)



Tab.5: Realidade dos Solos e de seu Manejo para condições

Ambientais Tropicais e Temperadas



Ambiente e Clima Tropical
Ambiente e Clima Temperado

São mais ativados, porém com um risco de degradação maior São menos ativados biologicamente

São reestruturados pela atividade biológica, pelo húmus e pela cobertura vegetal
São cobertos por Neve

durante meses

São reestruturados climáticamente pela ação da neve, líquidos e depósitos orgânicos

Não necessitam de revolvimento profundo anual
Necessitam de revolvimento anual

Possui riscos de superaquecimento
Possui necessidade de aquecimento

São mais ácidos, friáveis, soltos,
São menos ácidos, mais pegajosos

Possuem uma maior capacidade de fixar o fósforo
Fixam bem menos fósforo por sua menor biologia

Possui dificuldade de acumular húmus por sua microvida muito ativa
Decompõe a matéria-orgânica lentamente um acúmulo de húmus de maior quantidade

Grande risco de erosão e degradação
Menor risco de erosividade e degradação

Solos predominam a Argila Caulinita
Predominam a Argila Montmorilonita

Muita chuva, riscos de enxurrada
Menos Chuva e risco de enxurradas
Agricultura que necessita de Proteção, controle do impacto da chuva e da insolação
Agricultura que necessita de insolação e ativação biológica dos solos

Maiores riscos de pragas e doenças
Menores condições para Pragas e Doenças

Indica-se Plantio Direto

Sistemas Agroflorestais

Adubos Verdes

Compostagem

Mulching

Alley Croping ou Aléias Indica-se aração Superficial

Gradeação Superficial

Sistemas Agroflorestais

Adubos Verdes

Compostagem

Mulching

Alley Croping ou Aléias




(Adaptado de Ana Maria Primavesi em Manejo Ecológico dos Solos, Ed. Nobel, pág. 88.)



Resultado no BR da Agricultura Quimico-Sintética



Maior Concentração de Terras do Mundo: Índice Gini:

4.000 produtores retém 48 % da área agrícola atual

68 milhões de pessoas vivendo abaixo da media do PIB nacional

Maior consumidor de Agrotóxicos do mundo em 2009



Entre 1970 a 1985: Dados do IBGE:


400 a 500 % aumentaram as pragas e doenças

400 a 500 % o consumo de agrotóxicos

4.5 a 5.2 % aumentou a produtividade agrícola: cresceu por expansão da áreas plantadas



Como, qual o método? Na Ditadura: Credito Agrícola



Financiavam que possuía garantia de pagamento, usando produtos químicos como segurança e menor risco



As Principais Características Gerais da Agricultura Orgânica ou Agroecologia, Agricultura Biodinâmica e da Permacultura:



- A Formação de Organismos Agrícolas Dinâmicos, Ecológicos, Sustentáveis e Diversificados e não empresas ou fazendas especializadas



- O Uso de diferentes Sistemas de Conservação e Manejo de Solos



Se há a possibilidade maneja-se a micro-bacia inteira, onde se projeta a formação de curvas-de-nível e de terraços de base estreita e larga que chegam a atravessar as divisas entre as propriedades. Tornam-se fundamentais, pois equilibram a descarga de água proveniente de precipitação excessiva, evitando assim prejuízos provenientes do impacto da erosão. Nas estradas adotam-se o uso de lombadas e projetam-se os desvios e ordenamentos de controle de enxurradas de maneira que sua manutenção seja mínima. No manejo dos solos busca-se evitar que se exponha o solo revolvido demasiadamente ao sol e as excessivas precipitações. Busca-se assim manter sua estrutura grumosa evitando-se sua pulverização e que se consegue com uma aração e gradagem leve normalmente. A compactação de solos também deve ser evitada promovendo-se as operações de manejo quando o clima for favorável: em solos muito úmidos ou muito secos o uso de implementos acarreta diversos prejuízos a sua biologia e estrutura física.



- O Uso intenso e eficiente da Adubação Orgânica e Mineral para a Ativação Biológica dos Solos



Seja utilizando-se a produção de húmus proveniente de minhocários, compostos, esterqueiras, biodigestores, adubos verdes, adubos líquidos concentrados, etc, ou desenvolvendo-se as técnicas de correção da acidez e dos teores de cálcio, fósforo e magnésio com o uso do calcáreo e dos minerais e rochas fosfatadas pode-se suprir a necessidade de nutrientes e equilibrar o pH na agricultura orgânica.



- A Escolha e o Uso de Variedades Genéticas mais Rústicas e Adaptáveis aos seus Ecossistemas



Na Agroecologia, Agricultura Biodinâmica e na Permacultura busca-se se utilizar sementes de espécies e variedades mais rústicas e menos dependentes de adubação e uso de produtos de defesa sanitária. Sementes que possuem alto vigor, não híbridas, podem assim ser selecionadas dentro dos próprios cultivos agrícolas orgânicos, sendo fortalecidas e adaptadas seus aspectos genéticos em relação a seu ecossistema ano-a-ano. Instituições de pesquisa assim podem desenvolver cultivares agrícolas mais rústicos e adaptados. Podem ajudar mais os agricultores em relação a sua auto-suficiência e um pouco menos as empresas vendedoras de sementes, adubos e inseticidas.



- O Uso de uma Rotação Criteriosa dos Cultivos



O sistema de cultivo na Agroecologia e na Biodinâmica normalmente é menos concentrado por hectare e mais diversificado em número de espécies que estão sendo cultivadas. Isto ocorre por que o produtor agroecológico percebe que se há um aumento na biodiversidade local, diminui-se a possibilidade do ataque de pragas e doenças. Por outro lado, pode-se colher e comercializar diversos produtos por hectare, aumentando a capacidade de geração de renda. Estas rotações são planejadas anualmente, obedecem a princípios alelopáticos ou de combinação sinérgica entre as espécies, e assim evitam a competição por mesmos nutrientes e mesmos níveis de exploração nos estratos dos solos.



- O Manejo Ecológico, Preventivo e de Baixa Toxicidade das Pragas e Doenças



Se surge um ataque de pragas ou doenças, observa-se qual são os fatores que possibilitaram a manifestação destas anomalias no processo produtivo. Se foi a semente que estava contaminada ou com baixo vigor natural, ou se ocorreu um excesso de adubação nitrogenada - que atrai a maioria dos insetos sugadores, se são as condições de solo que estavam contaminadas, etc. Assim muitas vezes o produtor orgânico pode ser pego de surpresa e por isso o acompanhamento deve ser constante nas lavouras. O uso de substâncias tóxicas caseiras, que são preparadas com extratos de plantas medicinais, uso de soluções orgânicas minerais normalmente são as mais empregadas e fornecem resultados práticos satisfatórios, que conseguem em muitos casos controlar até 80 % da pragas e doenças.



- A Crescente Valorização do Uso de Sistemas Agroflorestais e Permaculturais



A Agricultura Orgânica normalmente aproveita na formação de sistemas mais permanentes de conservação de solos espaços possíveis para serem implantados pomares e áreas de produção mais intensiva de árvores frutíferas e de utilização para fins de ampliação de cultivos florestais, medicinais, aromáticos, apícolas, energéticos, agroflorestais, silvo-pastoris e permaculturais. Estes locais de implantação destes cultivos permanentes muitas vezes são localizados dentro das áreas das lavouras e nas pastagens e cercas e aumentam a atividade econômica sustentável, auxiliam no controle dos ventos, como abrigo e ambiente propício para a fauna e a flora nativa se alimentar e multiplicar, no controle climático, na estabilidade do lençol freático e umidade da região.



- O Manejo Ecológico e Sustentável das Pastagens para a Criação Animal



A superlotação das pastagens, má nutrição animal, mal manejo, importação de produtos externos como ração, produção de milho, remédios químicos, hormônios, são as atividades que a Agroecologia evita de utilizar e manter em sua relação com a produção animal. Neste setor, primeiramente busca-se produzir a capineira que será importante como oferta de alimento energético e ruminoso para os animais, sobretudo bovinos. A produção de um energético como o sorgo e o milho também são valorizados nesta atividade. A qualidade dos estábulos, condições de higiene, manutenção de uma dieta rica e balanceada, controle de parasitas e doenças pelo uso de plantas e métodos mais naturais são outros aspectos importantes valorizados na Agroecologia. As pastagens são mantidas adequadamente em altura, vigor e qualidade nutricional. Sua biodiversidade é constantemente e cuidadosamente aumentada com a combinação correta do uso de consórcios entre gramíneas e leguminosas. O uso de arbustos, árvores forrageiras, bancos de proteína, barreiras de capineira nas épocas de seca são alimentos que podem auxiliar a melhorar a dieta e a saúde dos rebanhos.



- A Educação e o Crescimento Associativo da Comunidade Agroecológica, Biodinâmica e Permacultural



Normalmente a Agroecologia por possuir uma cultura atuante mais exigente acaba desenvolvendo uma educação e forma de vida mais sadia, qualitativa e sustentável. Isto se manifesta nas relações afetivas e menos capitalistas entre seus grupos de trabalhadores, famílias envolvidas e crianças. Há sempre uma maior participação social, atuação política e ambientalista e uma presença marcante destes projetos junto às populações vizinhas.



- A possibilidade da viabilização de diversos Centros de Saúde Integral e Escolas de Desenvolvimento Sustentável



Os locais onde são desenvolvidas as atividades agroecológicas tornam-se devido as suas condições ecológicas de alta qualidade ambiental espaços interessantes para que sejam construídas clinicas e centros terapêuticos. Por suas diversas e diferentes atividades práticas podem também ser selecionados afim de que sejam montadas escolas de desenvolvimento sustentável ou centros de ensino-modelo experimentais ecológicos. Aprende-se muito observândo-se a prática dos mecanismos e atividades agrícolas e associativas.



Inovações da Permacultura: Fundada em 1972 na Austrália por Bill Mollison



I - O Conceito de Permanência Ecológica



Ou seja, quando utilizarmos um material da natureza, que seja de boa qualidade e procedência, sendo aproveitado durante o maior número de tempo possível, assim permanecerá sendo útil por mais tempo semelhante às arquiteturas coloniais dos séculos passados. Assim evita-se consumir e poluir ainda mais o planeta. É diferente a bionergia de uma bioconstrução que utiliza um bom tijolo, ou adobe ou mesmo palha do que uma casa feita com cimento e concreto, são estas coisas que a Permacultura se preocupa.



II - O Conceito de Adaptação Ecológica:



A Permacultura propõe uma cultura que valoriza as florestas, berço e mãe da evolução da sociedade humana, que saiba protegê-la, conviver com sua vida e mistérios naturais, ainda aproveite muito bem seus recursos sustentáveis e renováveis locais, mais facilmente adaptados e encontrados na região, desta forma poderá alcançar um nível de qualidade-de-vida superior ao encontrado nas grandes cidades que em sua maioria estão em processos acentuados de degradação.



III - O Conceito de Aproveitamento Máximo dos Recursos Naturais:



Fundamentalmente a Permacultura objetiva reciclar a energia dos locais e mantê-la em índices positivos. Valoriza a insolação, que pode aquecer paredes ou células de

energia solar ou de garrafas Pet, a água, o uso de fogão a lenha com serpentina, a reciclagem do saneamento, uso de banheiros secos, telhados verdes, turbinas eólicas, cataventos, rodas-de-água, pomares, hortas, cercas vivas,pastos com árvores, divisores de cultivos arbóreos, aproveitamento da chuva com o uso de caixas de água receptoras; aproveitamento de resíduos humanos e animais com zona de raízes; dos resíduos do encanamento da casa para pomares; uso de telhados vivos vegetais; uso de materiais alternativos para a bioconstrução das casas com adobe, solo cimento, cascas de arroz, papel, cascas de árvores, bambu, folhas de palmeiras e ferrocimento, entre outras ferramentas menos impactuantes.



IV - Aumento da Biodiversidade:



O permaculturista propõe um modelo mais holístico de aproveitamento de seu espaço, introduzindo um maior número possível de espécies vegetais que quando combinadas, podem adicionar receitas importantes no sistema. Obviamente que se evita a introdução de espécies mais exóticas ou que impactuem com a realidade do sistema ambiental e natural existente.



VI – Flora, Apicultura e Animais Silvestres:



Muito valorizada na Permacultura, a flora nativa é uma excelente fonte de pesquisa e de renda. A criação de animais silvestres está em voga no Brasil, sendo muito importante para a recuperação e proteção do meio-ambiente, alem de trazer respostas econômicas à realidade da necessidade de um melhor aproveitamento das florestas e matas nas propriedades rurais. O dia que o Brasil despertar para o imenso retorno que a criação de animais silvestres poderá gerar em múltiplos sentidos, sobretudo nas reservas extrativistas da Amazônia legal, teremos um novo boom econômico e muito interessante por agradar e impulsionar as novas gerações em toda a América Latina.



VI - Ruas e cercas vivas arborizadas com pomares nas cidades e

campos



Para combater-se a fome e a subnutrição a permacultura advoga o plantio intenso de árvores, que regeneram a paisagem erodida, combatem perda de umidade, o vento excessivo, trazem repovoamento da fauna e recuperam o lençol freático. Em uma estrada de 2 km de terra ou asfalto de acesso podemos cultivar mais de 5.000 frutíferas como mangueiras, abacateiros, pereiras, araucárias, mamão, maracujá na cerca de arame. Como o Brasil com seus 8 milhões de km2 pode passar fome, com um clima sem neve? Quantos Japões e Israels cabem em Alagoas ou em Santa Catarina? Imagine quantos milhões de frutas e vitaminas alem do mel estamos deixando de ter como reserva de segurança alimentar e econômica em nosso país. Assim ainda nos chamam de mestres da utopia e da ecootopia! Então o fazendeiro permaculturista aproveita todos os seus espaços para repovoar com a vida, sobretudo árvores. Centenas de animais vão colaborar com seus cultivos, a vida natural explode em abundância, e o ambiente espiritual possibilita novos impulsos como a formação de SPAS e clínicas de saúde integral e recuperação de doentes, dependentes químicos; stress, câncer e aids.



VII – Estudo do Campo Morfogenético:



Um permaculturista pretende estudar o que a linguagem oculta ou silenciosa do ecossistema e do local da bioconstrução de sua casa e atividade tenta lhe transmitir, tornando-se um facilitador ou canal da vontade ou do desejo secreto e não tão compreendido racionalmente existente na natureza. Une-se ainda sabedorias oriundas da georadiônica, da radiestesia e do feng shui, entre outras fontes.



VIII - Comunidades e Vilas Sustentáveis Rurais e Urbanas, Ecovilas e/ou eco-condomínios:



Cada vez mais pessoas se unem com propósitos de proteção, evolução espiritual, economia ecológica e formam comunidades mais auto-sustentáveis. A Permacultura valoriza muito este tipo de organização social. As comunidades que estão trabalhando com a Permacultura no Brasil são encontradas no estado de Goiás, na cidade de Pirenópolis, onde há um centro rural especializado em Permacultura, o Instituto de Permacultura do Cerrado - Ipec; na comunidade Vale Dourado ou FraterUnidade;na comunidade Capão na Chapada Diamantina na Bahia; na Comunidade Lothe Lorien na Chapada Diamantina na Bahia; na Comunidade da Penha no município de Penha no Espírito Santo; na Comunidade de Nazaré em Nazaré Paulista. Há diversas comunidades nos EUA, Austrália e diversos condomínios urbanos na capital paulista que formam uma rede internacional, a ENA. Maiores informações podem ser encontradas nos sites: www.institutoanima.org e www.permaculturabr.ning.com.



Permacultura e uma moderna visão holística de nosso tempo

Imagine que quase ou mais de dois terços da humanidade estão apenas utilizando os recursos naturais diretos e não estão aplicando técnicas conservacionistas ou exercendo o poder de sua consciência ecológica. O quase um terço restante está preocupado também em ampliar seu conforto e bem estar, e o mínimo de seres humanos estão questionando, enxergando, edificando e propondo saídas para este nossa possível e mais séria crise mundial de escassez de recursos e de um incontrolável número de novas e crescentes dificuldades sociais, políticas, ambientais e econômicas. Neste ritmo alucinante de consumo, de necessidade de criação de novos e mais novos mercados sem que sejam assegurados padrões éticos e sustentáveis nas etapas de produção, comercialização, uso de estudos sérios de impacto ambiental que a maioria de nossos projetos e opções de desenvolvimento econômicas necessitam principalmente nos setores como o transporte coletivo individual em massa, cultivos agrícolas intensivos e homogêneos em grande escala, uso de substâncias químicas poluentes, uso da energia nuclear, entre outros setores, poderemos ter uma espécie de intolerância e instabilidade muito mais agressiva interna dentro de nossa sociedade, e a partir da própria natureza poderemos sofrer cada vez mais amplos processos de resistência e rejeição. Esta educação e cultura sustentável para ser criada e impulsionada necessitam desvelar e organizar estes conhecimentos sustentáveis adquiridos no passado e no presente e que estão organizados em setores chaves como a agricultura, medicina, nutrição, psicologia e ciências ambientais. Estas ciências são muito importantes para a viabilização real do desenvolvimento sustentável, e são elas que deram origem e formaram a “Agroecologia, Biodinâmica, a Permacultura, a Nutrição Integral e Vital, a Medicina Natural, Medicina Holística, Educação Ambiental, Psicologia Humanista e Transpessoal”, entre tantos outros ramos e atividades de última geração de nossa ciência deste século. Possivelmente são estas as principais ciências do terceiro milênio, com a inclusão ainda da Física Quântica e Nuclear, Biologia Molecular e da Educação Transpessoal”. Todas estas ciências possuem um conjunto de informações muito precioso e valioso e que precisa ser mais apoiado e difundido em nosso país. Também seus espaços ecológicos de discussão e produção científica e seus espaços inter e transdisciplinares precisam serem mais ampliados - está faltando um contato mais intimo com as fronteiras e até regiões distantes de seus mais importantes conhecimentos e conquistas. A Permacultura é a ciência ecológica e ambiental que desenvolve uma cultura sustentável que integra inicialmente a arquitetura, a engenharia, a ecologia, agronomia, e a nutrição, de uma maneira inter e transdisciplinar, que objetiva utilizar da melhor forma os recursos naturais renováveis possibilitando a formação de cidades e aldeias sociais estruturadas com padrões de sustentabilidade agrícola mais permanentes e de menor gasto de energia e de trabalho para a sua manutenção. Desde o planejamento da casa até do ambiente, utilização inclusive econômica das florestas e das matas, de materiais recicláveis e de sistemas muito eficientes de reciclagem de resíduos, diversificação produtiva, produtos de ponta e de alta qualidade como castanhas, óleos, resinas, passas, remédios e produtos farmacêuticos industriais, que possam remunerar melhor os produtores, e traga uma maior auto-suficiência à propriedade e da economia social e familiar, são os aspectos observados nesta importante e muito avançada escola de desenvolvimento e prática de um ritmo e concepção de vida mais sustentável do III milênio. Por isso ampliou-se mais em países mais jovens e mais sustentáveis como a Austrália, Tasmânia e Estados Unidos - Califórnia. A Permacultura busca rejuvenescer amplamente o ecossistema, reproduzir suas cadeias alimentares e níveis tróficos mais naturais, manter e investir em seus clímax florestais, introduzindo parâmetros de maior cultivo e maior integração de espécies com um maior valor e aproveitamento econômico, energético e alimentar, e pode ser muito bem desenvolvida no Brasil. É bom lembrar que o criador da Permacultura, Sr. Bill Mollison, há mais de 30 anos começou a criar e a manter cidades que desenvolvem modelos sustentáveis de vida na Austrália e em muitos países, e recebeu pela destacada importância e seriedade de sua obra, o primeiro prêmio Nobel Alternativo do Mundo.



A agricultura biodinâmica é aquela agricultura que foi desenvolvida inicialmente na Europa por um filósofo e cientista inclusive místico de destaque inclusive até hoje em todo o mundo, chamado Rudolf Steiner, que viveu na Alemanha, no inicio do século (1861-1925), e que oportuniza a aplicação de uma visão e compreensão mais profunda e sensível do ambiente e organiza a utilização dos recursos naturais de maneira a concentrar seus Potenciais de Vitalização ou de manutenção dos seus níveis de vitalidade de forma mais elevada, permanente e estável. Para isso utiliza produtos de baixa concentração, chamados de preparações biodinâmicas e que atuam homeopaticamente no plano vital ou energético ou como é chamado de supra-sensível e que vem atuar se ativado diretamente no conjunto orgânico e biológico dos recursos naturais do ecossistema local e geral envolvido na produção agrícola. Isto traz uma proteção maior ao ambiente, como mostra os diversos experimentos científicos, sobretudo na Europa realizados nestes últimos 70 anos. A Biodinâmica também valoriza a aplicação e o estudo dos movimentos lunares na agricultura e na sua relação e influência com os movimentos astronômicos. Baseia-se assim em uma moderna ciência chamada de Antroposofia, que possui sua própria escola de medicina - Medicina Antroposófica, educação - Educação Waldorf e sua própria psicologia e arte terapêutica - Eurritma. Praticamente pode ser descrita como um caminho muito útil de ser pesquisado por todos os brasileiros, pois em sua essência, já possui muita experiência prática com um desenvolvimento sustentável muito viável, em uma abordagem muito mais espiritualizada, humana e holística.*

A agroecologia possui como conceitos importantes: A agroecologia ou agricultura orgânica são sistemas que buscam resgatar os conhecimentos tradicionais, aprimorando seu desempenhos ecológicos, tecnológicos e científicos junto aos processos produtivos, com um custo econômico, energético e ambiental inferior e mais sustentável comparado aos modelos convencionais de produção e ainda podem melhorar significativamente a renda e a qualidade de vida alcançada na Agricultura Tradicional (Schorr, M. Manual Nacional de Agroecologia, Agricultura Biodinâmica e Permacultura – IBAMA/MMA – 1995). Estas três diferentes abordagens de desenvolvimento agrícola sustentáveis podem ser reunidas e ampliadas de maneira conjunta, este é o desafio deste presente trabalho.

Nutrição vital e integral é outro campo muito intimo e relacionado a agroecologia e a permacultura e que necessita ser mais estudado e aplicado na educação, sobretudo ambiental. O que comemos reflete nossa evolução cultural e espiritual. Alimentos vivos e orgânicos possuem mais vitaminas, durabilidade, aumentam nossa imunidade. A educação ambiental ainda engatinha nestes conteúdos, e precisam valorizar muito mais para que se torne revolucionária, regenerativa e bem mais atual e transformadora.

Novos ritmos vitais da paz é o termo que criamos para que nosso dia-a-dia tenha mais harmonia com as leis e a pulsação natural do planeta,. Consiste em meditarmos desde cedo ao acordarmos, termos banhos alternados, realizamos uma prática de alimentação mais saudável e inteligente, um jeito de viver mais calmo, inteiro, Sem pressa, saboreando mais a vida, próximo ao que o movimento chamado slow food) oposto ao que o Fest food) ensina.

As Equações da Nova Era



”A Consciência possui um Tempo exato que é o seu destino para permanecer vivendo em um determinado Espaço da Terra afim de que prossiga com sua evolução”, ou:.



C + T + E = Vida e a Evolução



C + T + E + Fator I = Vida, Evolução e Sabedoria





Fator I considera-se uma variável ligada ao êxtase, a transcendência e a felicidade e chamo-a de variável intensidade



Quanto mais intensa é a sua busca mais contato possui a pessoa com a dimensão menos racional e mais interessante se processa sua evolução na Terra



Esta busca de felicidade, da vivência cada vez mais intensa do fator I em uma abordagem psicológica faz com que as pessoas se arrumem mais, se transem mais, fiquem mais qualitativas, mais bonitas, tenham uma maior fluidez e crença no poder da vida, enfim um jeitão ou astral mais alto astral



EC + TC + CC= Stress e Colapso





Este espaço sendo concentrado da forma que está atualmente, em um tempo forçado e concentrado em um ritmo alucinante, está levando nosso planeta a um stress ambiental, e à um possível colapso de nossa civilização. A formula que concebemos e que melhor descreve isto é:



Esta fórmula precisa ser transformada? A variável CC simboliza em seu aspecto matemático consciência demais concentrada em um objetivo único, que em nossa atualidade corresponde ao acumular o dinheiro e os bens sofisticados de capital. TC e EC correspondem ao tempo concentrado e o espaço concentrado. O que uma cultura desta tão acelerada e concentrada pode gerar?



“Sua equação pode gerar separatividade, rompimento, agressividade, competição e excesso de energia concentrada. No plano anímico tensão, ansiedade, nervosismo, impaciência, projeção violenta, guerra, ódio, culpa, desespero. No plano energético, poluição, escassez de recursos naturais e no plano divino ou espiritual ilusão, doença mental coletiva, medo e pânico em geral ”



E é o que está vindo muito forte ao mundo nos próximos anos se as políticas publicas não reverem seu papel e não se atualizarem de forma amplamente holística



Uma Humanidade em Celebração e União



A formula holística que tenho percebido que pode trazer luz a humanidade de hoje é a seguinte:



E T + CD = Evolução Divina Superior



ou seja, se cada pessoa viver sua vida em uma dimensão meditativa do aqui-agora, liberta do seu passado e pouco viajante em seu futuro, encontrará a iluminação de um mais flexível e amplo estado de Espaço-tempo (ET) e produzirá através de sua Consciência Divina uma Evolução espiritual rica em sabedoria, transcendência e amor e muito mais Consciência



* “ Evolução é tal como a natureza e a educação de nossos filhos, então se faz de dentro para fora e não de fora para dentro, através da busca de uma maior harmonia com as leis e ritmos naturais.”



“ Esta iluminação em um Espaço-tempo do aqui-agora não é algo fácil de ser conquistada: demora anos, mas sua busca por si já é algo impressionante, que nos faz andar e compreender cada dia e cada momento como se fosse único, pleno em novidades, e nos motiva ainda a desvelar e a curar este mundo tão cheio de confusão e de mal uso de energia criativa.”



“ Acessar níveis e realidades mais sutis e cada vez mais plenas em sabedoria e amor é o que percebo que é o significado de nossa própria existência, e nossas paradas obrigatórias de desgaste pelos problemas que surgem são a forma de resgatar nossas más ações realizadas no tempo passado. Quanto mais adquirimos amor e sabedoria em nosso dia-a-dia, mais nos libertamos do passado e mais somos conduzidos por merecimento espiritual a possuir uma ligação intima com Deus, em um plano mais cristico ou divino, que produzirá uma forma de vida mais divina e com muito mais ampla consciência ”



A Equação Vinda do Coração Divino



A Paz Salva Você

Onde Encontra-se a Paz

Salvando Você ?

Vamos Salvar Todos Juntos este Planeta

Assim encontraremos a Verdadeira Paz





Bhakti Sarvha Thum

Om Sarvhe Sarvha Thum
Hare Om Bhakti Sarvha Thum

Hare Om Bhakti Swará



Acredito que este Koan poema que recebi em meditação sirva de igual valor para todos seres humanos e signifique racionalmente que devemos levar mais a sério nossas práticas de vida. Não será possível buscar salvar-mos a cada um de nós individualmente e de maneira egoísta. Vamos precisar mudar as coisas, sermos mais solidários, mais fraternais, para salvar, curar e enaltecer e amar este berço Terra... este planeta oásis de tão lindo e formoso.



Metas Fundamentais para uma

Educação Holística e Sustentável:



Reavaliar o Currículo: qualidade, seleção de temas fundamentais, atuar-se na essência e não na superfície, valorizar-se a verdade histórica dos povos ...



Horários menos estressantes: novas dinâmicas de ensino, alunos podem anotar somente o que não sabem por exemplo



O Recreio Vivo: um espaço terapêutico e inter e transdisciplinar para o aluno



O Professor Disciplinar de Educação Ambiental x

Transversalidade: empregabilidade e transversalidade para a educação Ambiental



Escola com Oficinas Práticas e Complementares de Ensino



Mutirões de Limpeza e de Paisagismo nas Escolas: compostagem, hortas, viveiros, atividades sociais e nas comunidades do entorno



Merenda Escolar Agroecológica: evita êxodo rural



Interdisciplinariedade e Transdisciplinariedade com a Agroecologia, Nutrição Vital, Alimentação Integral e a Medicina Holística: pesquisar seu impacto



Valores Nobres, Sagrados, Cidadania, Civismo, Estudo de Desarmamento e Policiamento Civil, Cuidado com o Trafico e Desnutrição, Novas Relações Evolutivas: um espaço na escola e na comunidade



Mutirões nas Escolas e nas Comunidades: paisagismo e melhoria estética, visando uma maior qualidade ambiental



Feiras de Troca e Economia Solidária



Conclusão Final:

O capitalismo transformou o ser humano num elemento consumidor de seu planeta, e o está intoxicando com seus resíduos, com sua ferocidade em enriquecer. Esta quantidade toda de recursos sendo absorvida e guardada em bancos, precisa ser melhor utilizada e compartilhada. Para isso é preciso uma compreensão espiritual e um respeito maior às tradições espirituais.

Nosso futuro como civilização pode não existir, se continuarmos a impor nossa arrogância e acúmulo desnecessário de tantas inutilidades. A essencialidade, a impecabilidade, a reciclagem dos recursos e da energia, a busca de um reequilíbrio com os ritmos da natureza, podem ser também valorizados e serem considerados uma nova economia mais sólida que a faraônica, que sem dúvida não se sustentará, e que não traz uma maior e mais sadia qualidade.

A educação ambiental é o elo que une tudo isso, e pode ser um elemento importante para ativar o despertar da consciência das novas gerações.

Referências Bibliográficas:



Crema, Roberto. Introdução à Visão Holística: breve relato de viagem do velho ao novo paradigma. São Paulo, Summus editorial. 1989.

Mollison, Bill. Permaculture - a pratical guide for a sustainable future. Island Press.

Mollison, Bill e Holmgren, David. Permacultura Um. Editora Ground. São Paulo. 1988.

Primavesi, Ana. O Manejo Ecológico dos Solos: agricultura em regiões tropicais. São Paulo. Ed. Nobel. 1983.

Primavesi, Ana. Manejo Ecológico de Pastagens: em Regiões Tropicais e Subtropicais. 2a. ed. Ed. Nobel. São Paulo. 1985.

Rickli, Ralph C. Três Raízes, Dez Mil Flores: 500 anos de cultura brasileira. Contribuição a uma reflexão livremente antroposófica. Trópis. Apostila. São Paulo. 1992.

Rickli, Ralph. Os Preparados Biodinâmicos. Introdução à Preparação e Uso. Cadernos Demeter no. 1. Centro Demeter. Botucatu. SP. 1999.

Schorr, M. Manual Nacional de Agroecologia, Agricultura Biodinâmica e Permacultura – DICOE/IBAMA/MMA – 1995.

Steiner, Rudolf. Agriculture - a course of eight lectures. P.O Box 211- 011000 - AE - Amsterdã The Netherlands.

Schmidt, Georg W. A Construção de Ecossistemas Aptos à Vida: intervenção humana em ambientes ameaçados e destruídos. Botucatu. Centro Demeter. 1986.

Thun, Maria. O Trabalho na Terra e as Constelações. Cadernos Demeter no. 2. Centro Demeter. Botucatu. SP. 1986.

Vogtmann, H. Agricultura Ecológica: teoria e prática. Trad. Carla R. Volkart. Porto Alegre. Mercado Aberto. 1987.

quarta-feira, abril 21, 2010

Como anda a Educação Ambiental no Brasil?

Como anda a Educação Ambiental no Brasil?
Berenice Gehlen Adams
 
 
A Educação Ambiental, no Brasil, a passos muito lentos vem ganhando cada vez mais fôlego através de iniciativas da sociedade civil (mobi-lizações das ONG's), de órgãos governamentais (com diferentes projetos em andamento: salas verdes, coletivos educadores, Redes de EA) e da iniciativa privada (inserção da EA nas empresas), porém, se configuram, muitas vezes, em práticas isoladas, estanques, e por vezes desconectadas das realidades locais, ou, ao contrário, focando somente um determinado problema ambiental local, sem articulá-lo com uma realidade maior.
 
Percebe-se, portanto, e de uma maneira geral, que a Educação Ambiental (EA) vem sendo aplicada, no País, em diferentes instâncias, de forma dispersa, e enfatiza questões pontuais voltadas principalmente para problemas ambientais como: lixo, saneamento, bacias hidrográficas, na maioria das vezes com um enfoque de apelo para "salvar o planeta", ou seja, ainda pontual -voltada para problemas (visão cartesiana), e não integradora - voltada para a prevenção (visão complexa). Uma visão integrada possibilita uma ressignificação de ambiente em sua totalidade, desenvolvendo a percepção de que somos parte integrante do ambiente.
 
Conforme principais documentos referências da Educação Ambiental, dentre eles a Lei Nº 9.795/99, a Educação Ambiental é interdisciplinar que deve estar presente em todas as sérias e em todas as disciplinas, desde a Educação Infantil ao Ensino Superior. Porém,
 
[...] no ambiente escolar as práticas de Educação Ambiental (e, conse-quentemente, as pesquisas dela decorrentes) têm sido realizadas privi-legiando: sua articulação com o currículo do Ensino de Ciências e/ou Biologia e Geografia; uma temática que apresenta nítidos vínculos com temas relacionados à Ecologia; a discussão de problemas ambientais, em sua maioria com forte conotação técnica, relacionada a concepções biológicas (SORRENTINO, 1997; LIMA, 1999; AMARAL, 1995 e 2001; MEYER, 2001; FRACALANZA, 2004). (In: FRACALANZA, 2010, s/p).
 
A educação, sem dúvida alguma, ainda é a melhor via para o desenvolvimento da cidadania ambiental, e os processos educativos são fundamentais para a promoção das mudanças de hábitos e atitudes das pessoas e suas relações com o meio ambiente, principalmente os que associam atividades informativas e sensibilizadoras, porém, deve-se compreender que tais processos integram um conjunto de ações sociais para a busca de soluções dos problemas ambientais. A escola está carregada de problemas que se arrastam, ano após ano, e o que é pior, acentuam-se, e é nesse contexto que a EA tenta desespera-damente se instalar.
 
De fato, a prática educativa voltada à questão ambiental no Brasil enfrenta graves desafios. Por um lado, tem a responsabilidade de formar quadros aptos a enfrentar a gestão dos sistemas naturais, visando uma sociedade sustentável e a melhoria da qualidade de vida das populações; de outro lado, defronta-se com a necessidade de formar cidadãos capazes de compreender e enfrentar a atual crise ambiental. (FRACALANZA, 2010, s/p).
 
É preciso contribuir para algumas mudanças e melhorar o contexto educacional através da Educação Ambiental.
 
Outro fator que provoca essa "lentidão" da evolução da EA no País é a descontinuidade de projetos quando ocorrem mudanças de gestão no governo. Muitos bons projetos iniciados são descontinuados, e novos projetos se iniciam, dando até a impressão de estarmos constantemente reinventando a roda.
 
[...] A realização de práticas de Educação Ambiental, no âmbito da educação escolarizada, entre outros aspectos, depende de uma adequada formação de profissionais para o magistério. E, deve-se convir, face à diversidade de propostas de Educação Ambiental, a formação adequada do professor necessita, também, de acesso às informações disponíveis e sistematizadas pela produção acadêmica e científica. (IFRACALANZA, 2010, s/p).
 
E acrescento, também, a necessidade de um trabalho com profissionais do magistério, articulado com os principais documentos referência da Educação Ambiental, para que os projetos de EA desenvolvidos pelo País tenham sintonia entre si quanto aos princípios, aos objetivos e as propostas de ações.
 
A falta de capacitação ou formação dos profissionais responsáveis pela EA, e dos professores para a inserção da Educação Ambiental deixa muitas lacunas em todos os contextos. Estas lacunas causam um certo desequilíbrio nas ações de Educação Ambiental realizadas no País.
 
Apesar [...] da lei brasileira prever a EA em todos os níveis e modalidades de ensino, inclusive nas universidades, permanecia, em 2005, a sensação entre educadoras/es ambientais de que, justamente nas instituições de ensino superior, faltavam políticas públicas educacionais relacionadas à dimensão ambiental na formação das pessoas, bem como de estruturas específicas para desenvolver a temática nesse meio ( BRASIL, 2008, p. 133).
 
Com base nesta lacuna, está em andamento um projeto de pesquisa elaborado para a Pós Graduação com Especialização em Educação Ambiental da Universidade Federal de Santa Maria, que propõe a elaboração e efetivação de um programa piloto de Capacitação de Educação Ambiental em Documentos Referência, cujo principal objetivo é proporcionar aos educadores uma convivência educacional e pedagógica com os principais documentos referência de EA que são: A Lei Nº 9.795/99, que institui a Educação Ambiental no Brasil; o Tratado de Educação Ambiental para Sociedade Sustentável e Responsabilidade Global; e, A Carta da Terra.
 
Existem muitos outros documentos importantes, além destes, porém, estes foram selecionados, pois: o primeiro legitima essa prática no Brasil, portanto, trata-se de um documento legal que todos os professores devem ter conhecimento e compreensão; o segundo, porque foi criado com a participação de diversas ONGs, por fundamentar o ProFEA (Programa Nacional de Formação de Educadores Ambientais/MMA), amplo programa de formação em Educação Ambiental proposto pelo MMA; e, o último por ser um documento que nasceu pela vontade da sociedade civil mundial em importante evento paralelo a Eco 92, o Fórum das ONG's, agrupando ideias de pessoas e diferentes grupos de mais de 120 países.
 
Conclui-se ser indispensável elaborar e aplicar um projeto de capacitação que oriente os educadores de todo País, de todos os níveis e de todas as áreas, para a inserção da EA crítica, e desta forma, promover uma EA alinhada aos princípios dos principais documentos referência da EA, elaborados por diferentes coletivos, e que seja contextualizada a realidade local/regional de onde esteja sendo praticada e vivenciada.
 
REFERÊNCIAS:
 
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental. Departamento de Educação Ambiental. Os diferentes matizes da educação ambiental 1997-2007, Brasília: DF. MMA, 2008. (Séries Desafios da Educação ambiental).
FRACALANZA, Hilário; et all. A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL. Disponível em: < http://www.fe.unicamp.br/formar/revista/N000/pdf/EA%20no%20BR%20-%20Artigo%20(01-07-08)%20Reformulado.pdf > Acesso em 12/04/2010.

Publicado em: 20/04/2010

quarta-feira, abril 14, 2010

Maria Leoni Sauter Hennemann - Parceira do Projeto Apoema

Posto aqui matéria com parceira do Projeto Apoema, a Maria Leoni S. Hennemann para que a conheçam melhor. Desenvolve atividades no sítio ecológico Lewa Esperança,


Perfil Popular - Maria Leoni Sauter Hennemann - Parceira do Projeto Apoema

Por: Graziela Wolfart, 11/05/2009

Natural do município de Morro Reuter, no Rio Grande do Sul, e filha de descendentes de imigrantes alemães e italianos, Maria Leoni Sauter Hennemann aprendeu com os antepassados uma lição que carrega por toda a vida: honrar o solo em que pisa. É por essa razão que ela e seu marido Walério vivem a causa ambiental e o amor pela terra no sítio ecológico Lewa Esperança, adquirido há quase 30 anos pelo casal. Moradora de Novo Hamburgo/RS, Maria Leoni participou da Feira de Artesanato realizada na Unisinos na semana passada, quando contou à IHU On-Line um pouco da sua trajetória e dos valores que regem sua vida e de sua família. Confira:

“Éramos uma família de pequenos agricultores, com nove filhos. O pai e a mãe tinham muita dificuldade, inclusive financeira, porque não se tinha dinheiro. Mas sempre fomos e seremos uma família feliz e unida, porque aprendemos valores que continuamos defendendo até hoje.” Assim Maria Leoni Sauter Hennemann, 61 anos, decide iniciar a contar sua história de vida para a editoria Perfil Popular desta semana. Entre os valores aprendidos em casa, ela destaca, em primeiro lugar, a humildade. “Isso é o básico, nos leva para qualquer lugar. E humildade quer dizer o seguinte: nunca se sabe tudo, sempre se tem a aprender.” Durante a feira de artesanato em que participou na semana passada na Unisinos, comercializando produtos orgânicos produzidos no sítio próprio que ela e o marido possuem, Leoni destaca que cada feirante tem a sua história. E o que gratifica é que eles vão até o estande dela e comentam que ali tem praticamente todas as coisas que lembram a infância de cada um: a bergamotinha, a laranja, o doce em calda, ou até a schmier de fruta.

“Viemos de berço com essa ideia de conservar os conhecimentos”, justifica Leoni. Ela lembra que, na época da infância, tudo era muito artesanal, até porque não havia tecnologia. E a questão do cultivo orgânico vem de lá. “Que bom que não tinha agrotóxicos, não tinha sacolas de plástico. Tudo praticamente era retornável. Naquela época não se comprava nada na bodega. Se fazia tudo em casa.” Leoni conta que foi em casa que aprendeu o valor da família. “Isso sempre foi precioso. Nove filhos, o pai e a mãe mais a avó somavam 12 pessoas em casa. Nossa mesa era composta completa no café da manhã, no almoço e na janta. Todos juntos e no primeiro momento todos faziam silêncio e alguém puxava a oração. Geralmente era a avó quem fazia, por ser a pessoa mais velha, e era em alemão. E todos rezavam”, relata, ao frisar que o mais velho representa o saber, o conhecimento, e todos devem respeito a essa pessoa.

Maria Leoni é pedagoga e tem experiência na área de educação de mais de 40 anos. Ela reconhece que as crianças hoje não têm mais limites. “Nunca se escreveu tanto sobre o respeito aos limites como agora. Nunca se debateu tanto esse assunto. Só que na prática o que vemos é o contrário. Parece que as pessoas não estão se entendendo. Existe uma ruptura muito grande entre o saber escrito e o fazer do dia-a-dia”, lamenta, comparando com o respeito que as crianças tinham no passado.

Maria Leoni e seu marido Walério possuem há 29 anos uma propriedade ecológica, um sítio, de 75 mil metros quadrados, localizado no município de Portão/RS. Além do casal, lá trabalham um funcionário, durante quatro horas por dia, e o sogro do filho de Leoni e Walério, que é o seu José, como voluntário. “Nós temos normas e regras. Só que elas não são escritas. Nós as vivenciamos na prática. Para isso, também existe a questão dos limites. As pessoas esquecem que limites não se dão apenas para as crianças, mas para os adultos também. As crianças simplesmente imitam o que observam. Não adianta um pai, uma mãe, uma avó pregar algo para uma criança e depois fazer outra”, argumenta.

Durante 20 anos, a família trabalhou na preparação do sítio para um dia começar a mostrar os resultados da produção para as pessoas. E o tempo dedicado a esse trabalho era apenas aos sábados, domingos e feriados, uma vez que durante a semana Leoni trabalhava na escola, como pedagoga, e seu marido era mecânico automotivo, como funcionário de mais de 30 anos na mesma empresa. O casal nunca precisou fazer nenhum empréstimo para manter a propriedade. “Trabalhamos com sustentabilidade desde o começo. Basicamente, para nós, isso significa o seguinte: sempre gastar menos do que a gente ganha. A saída sempre deve ser menor do que a entrada. É simples. Isso também se aprendeu de berço.”

Família
Leoni e seu marido Walério se conheceram em Gramado, na época em que ela estudava no internato, na Escola Dom Pedro II, e ele foi até lá com alguns amigos para testar um carro. Foram se aproximando e se apaixonaram. O casamento foi em 1970. Três anos depois, nasceu Fabiano, único filho do casal, que lhes deu um neto, o Victor, de três anos de idade. Fabiano é engenheiro eletricista, com mestrado na mesma área. Depois de trabalhar por mais de 12 anos na Unisinos, atualmente ele trabalha na SAP, que também fica no câmpus da universidade. Victor estuda na Escolinha Canguru, na Unisinos, com quem o sítio Lewa Esperança tem uma parceria por meio de organização de feiras. A nora de Leoni, Ilce Duarte, que é a mãe de Victor, trabalha na Unisinos, e é uma mãe exemplar, segundo a sogra. “Estamos muito felizes como avós porque o Victor está sendo muito bem educado, ele está tendo uma boa base familiar.”

As sogras
“Eu e minha nora temos uma boa relação”, garante Leoni, que lamenta o fato de as sogras na sociedade serem sempre ridicularizadas. E ela gostaria de dar um recado para todas as sogras: “Para ter um boa relação é preciso entender que, no momento em que o filho casa, ele forma uma outra família. E a mãe do filho tem que respeitar este espaço. Às vezes, até eles seguem outros princípios e, com isso, a gente pode aprender. E eu aprendi muito depois que meu filho constituiu a família dele. A mãe do filho tem que deixar inclusive eles errarem e isso é muito difícil. E esperar que eles peçam ajuda. As mães não podem ser antecipar para as ajudas nesse caso, porque é no erro que a gente aprende”.

Leoni e Walério, depois do casamento, foram morar na cidade de Novo Hamburgo, onde estão até hoje. Eles sentiam falta do contato com o campo com que eram acostumados. E não queriam perder esse vínculo com o meio ambiente, com a postura que aprenderam. Por isso, decidiram comprar um pedaço de terra. Outro plano era que esse seria o local onde eles passariam o tempo depois da aposentadoria. Começaram com 1,7 hectares e foram ampliando aos poucos, até chegar aos 7,5 atuais. Hoje, a família segue na propriedade os princípios da permacultura, que é o respeito ao solo, ao ar e às plantas, sendo que o ser humano se localiza no ambiente sem degradá-lo. O nome do sítio, Lewa Esperança, é a sigla de Leoni e Walério.

Desde 2000, eles comercializam os produtos elaborados no sítio. E a procura é grande, garante Leoni. Eles vendem uma grande variedade de verduras, ovos de colônia, frutas, tudo sem agrotóxico. Para adquirir os produtos, basta procurar a residência do casal, localizada em Novo Hamburgo, na Rua Tapes, número 565, ou a ir até o sítio, que fica na Estação Tafona, em Portão. Para conhecer a propriedade, é preciso agendar uma visita pelo telefone 3593.1094 ou pelo e-mail lewaesperanca@terra.com.br. Lá, tem a “Casa do conhecimento”, para quem quiser conhecer. Trata-se de uma casa antiga, que Leoni e o marido restauraram, levando para lá todos os objetos dos seus antepassados, que lembram os imigrantes alemães e italianos. “O berço em que eu e meus irmãos dormimos está lá. O guarda-roupa da mãe, a bengala do pai, roupas, malas de garupa, fotografias de época”, descreve.

Formação
Formada em Pedagogia pela Feevale, Leoni ainda tem pós-graduação em Ensino Especial pela UFRGS, e especialização em Áudio Comunicação, pois trabalhou um período com crianças surdas. Ela conta que sempre teve uma preocupação com a questão da aprendizagem. Percebia que muitas crianças levavam mais tempo para aprender do que as outras, tinham o seu tempo e ela queria entender isso. Quando se aposentou, em 2000, Leoni começou a cursar Paisagismo na Escola Perau do Encanto, de Nova Petrópolis/RS. Além disso, ainda conclui em 2005 o curso de agroindústria familiar. E atualmente faz um curso de formação do educador coletivo.


Leoni e a sua família são católicos. Mas ela confessa que vê a religião católica com preocupação, até porque muitas vezes “é só de aparência”. “Religião e fé independem de prédio. A fé deve fazer parte do dia-a-dia, das atitudes de vida da gente. Na prática.” Ela confessa que não vai à missa todos os domingos, mas vive sua fé todos os dias da semana. Para Leoni, a fé se vive na relação com o outro. “Respeitar o outro na sua caminhada e não pegar nada que não me pertence, são meus princípios de vida.”


Link da reportagem:
http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_tema_capa&Itemid=23&task=detalhe&id=1609&id_edicao=320