segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Atropelo estúpido

Atropelo estúpido
Bere Adams

Em POA/RS, na sexta-feira passada (25/02) ocorreu o atropelamento de 10 ciclistas.
Um motorista, que não aguentou esperar alguns minutos para as bikes do movimento Massa Crítica passarem em seu tradicional e mensal passeio, pisa propositalmente no acelerador e sai em disparada atingindo diretamente 10 ciclistas.
Tem um vídeo que mostra o momento exato do atropelamento, mas não quis postar aqui pelo mal estar que me causou quando o assisti, horrível! Absurdo, inacreditável como o ser humano pode deixar de ser humano!
O motorista atropelou os ciclistas, fugiu, sumiu. Está sendo procurado. Enquanto não o encontram, é bom tomar cuidado:


//////////// Charge extraída do http://massacriticapoa.wordpress.com/ \\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\ 

Saiba mais sobre o ocorrido acessando o link acima.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Justiça Federal no Pará suspende licença de instalação da Usina de Belo Monte


Justiça Federal no Pará suspende licença de instalação da Usina de Belo Monte - Plantão - 25 de fevereiro de 2011


Juiz alegou que licença de instalação é ilegal porque não atende a pré-condições estabelecidas pelo próprio Ibama


A Justiça Federal no Pará cassou a licença de instalação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). No fim de janeiro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) havia concedido uma licença parcial para a montagem do canteiro de obras.


Em liminar, o juiz federal Ronaldo Desterro determinou a suspensão imediata da licença. Assim que a empreiteira for notificada, todas as obras que eventualmente tenham começado no local deverão ser paralisadas.


O magistrado também proibiu o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de repassar recursos a Norte Engenharia Sociedade Anômica (Nesa), empreiteira responsável pela construção da hidrelétrica. De acordo com a Justiça Federal no Pará, a proibição vale até que o processo que contesta a obra tenha o mérito julgado ou até que se comprove o cumprimento das exigências previstas na licença prévia concedida pelo Ibama.


O juiz atendeu a pedido do Ministério Público Federal (MPF). Em ação civil pública, o MPF alegou que a licença de instalação é ilegal porque não atende a pré-condições estabelecidas pelo próprio Ibama na licença prévia, que antecede a licença de instalação. Entre as exigências descumpridas, estão a recuperação de áreas degradadas, a adequação da infraestrutura urbana, a regularização fundiária de áreas afetadas e programas de apoio a indígenas da região.


Na ação, o MPF argumenta que, até a emissão da licença provisória de instalação, 29 exigências não haviam sido cumpridas e quatro haviam sido executadas parcialmente. O Ministério Público também alegou que não há informação sobre a o cumprimento de outras 33 obrigações. Segundo a Justiça Federal, a concessionária pediu mais prazo para repassar as informações, mas não apresentou as respostas.


Ao conceder a liminar, o juiz criticou o Ibama. Para o magistrado, o órgão ambiental não está pressionando o consórcio a respeitar as exigências ambientais e está se submetendo aos interesses da empreiteira.


– De fato, a autarquia [Ibama], que deveria impor ao empreendedor a adaptação de suas necessidades à legislação de vigência, adota conduta contrária, consistente em buscar a adaptação da norma às necessidades da empreendedora, sem invocar fundamento razoável. A relação de preponderância do interesse público sobre o particular encontra-se, na espécie, invertida – escreveu o magistrado.



AGÊNCIA BRASIL


http://www.canalrural.com.br/canalrural/jsp/default.jsp?uf=2§ion=Canal%20Rural&id=3221807&action=noticias



quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Uma batalha injusta, mas não perdida

Uma batalha injusta, mas não perdida

Berenice Gehlen Adams


Somos soldados de uma batalha injusta, como a de anões lutando contra gigantes. E nós somos os anões, lógico!



Apesar disto, somos persistentes e com muito esforço abrimos mão de comodidades e confortos idealizados a partir da Era Industrial. Deixamos de consumir alimentos industrializados, damos preferência para produtos “ecológicos”, encurtamos o tempo debaixo do chuveiro, utilizamos aparelhos de forma racional, reciclamos materiais, plantamos. Não queremos ser apenas consumidores do Planeta. Idealizamos alcançar a utopia de um mundo melhor, mais equilibrado, ou pelo menos, andar na sua direção, já que utopia, por definição, é algo que nunca se alcança. Mesmo assim, a perseguimos. Todos sabemos que é necessário preservar a natureza! Lemos diariamente que é imprescindível minimizar os impactos que causamos ao meio ambiente e cada vez mais ouvimos falar que é preciso preservar. E tentamos cumprir esta missão, a de reverter, em equilíbrio, o caos ambiental.


Por outro lado, em prol do desenvolvimento energético do País, discute-se o que a meu ver é indiscutível: a possibilidade real da construção da usina hidrelétrica Belo Monte, dentro do bioma mais importante do mundo, o da Amazônia, o que fará “sangrar” com água, o coração da maior floresta do Planeta. Alguns especialistas e formadores de opinião descaradamente afirmam que os impactos serão mínimos e que ambientalistas exageram em suas interpretações, pois afinal de contas, o lago da usina ocupará uma área de apenas 516 km², ora! Para que esse alarde?


Assim, os ânimos das pessoas conscientes se alteram. Resolvemos aceitar o desafio de defender a Amazônia desta atrocidade. Nos posicionamos em protestos, assinamos petições e participamos de mobilizações. Confrontamos um gigante chamado Belo Monte.


Quem vencerá esta batalha? De uma coisa estou certa, se a perdermos, estaremos fadados a “sobreviver” em florestas de pedras e sem flores! Seria muito triste, a vida de nossos netos.

 
Fonte: Jornal NH 23/02/2011 p.12

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Caí no mundo e não sei como voltar

Caí no mundo e não sei como voltar



Eduardo Galeano


O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.


E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!




Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.


Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.


O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.


Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.


Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!


E mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.


E acontece que em nosso nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.


Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar. Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.


Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? O afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?


Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.


Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava...


Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo".


Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... por amor de Deus!


Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.


E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher, e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.


Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.


Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?


Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos...


Como guardávamos! Tuudo! Guardávamos as tampinhas dos refrescos! Como, para quê? Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.


Tuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette – até partidas ao meio – se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.


E as pilhas! As pilhas das primeiras Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos do que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.


Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.


Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de paus".


As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.


Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem ‘matá-los’ tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!


E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: ‘Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora’, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.


E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!


Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.


Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.


Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.


Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.


Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à ‘bruxa’, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a ‘bruxa’ me ganhe a mão e seja eu o entregue...


* Jornalista e escritor uruguaio


Comentário de Richard Jakubaszko:


Eduardo Galeano é um jornalista e escritor uruguaio, por vezes genial como na presente crônica, um texto inigualável e saboroso. Evidentemente eu já havia pensado no tema sobre o qual ele discorre no texto acima, apenas não tive a paciência de escrever algo a respeito, por entender que é absolutamente contrário ao que as pessoas pensam e fazem hoje em dia. Muitos dos que têm hoje mais de 40 anos já perceberam que essas coisas mudaram, e como, nos tempos modernos. Quantos de nós já não reclamamos? Apenas não escrevemos com a graça e simplicidade de Galeano.
O que se aplica adequadamente na questão é o absurdo do consumismo moderno (e sobre isso Galeano também já escreveu) e a imperiosa necessidade de reaproveitarmos e reciclarmos para conquistar a sustentabilidade.

Fonte: http://richardjakubaszko.blogspot.com/2011/02/cai-no-mundo-e-nao-sei-como-voltar.html

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

DESAFIOS PARA A DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL

DESAFIOS PARA A DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL
* Vilmar Sidnei Demamam Berna

Como financiar a informação ambiental que o público precisa mas não está disposto a buscar nem pagar por ela? E para quem quer e sabe onde buscar, a informação ambiental está disponível de verdade? E para quem recebe sem buscar, a informação ambiental tem sido de qualidade? Afinal, informação ambiental para que, e por quê? Afinal, existe ou não falta de democratização da informação ambiental no Brasil?


São algumas questões que merecem respostas numa sociedade que se pretende democrática e sustentável, pois o acesso à informação ambiental é fundamental para assegurar o fortalecimento da democracia e ajudar a sociedade a fazer escolhas melhores no rumo da sustentabilidade. Se a população não recebe informações ambientais em quantidade e qualidade adequadas, tenderá a reproduzir as mesmas escolhas que trouxeram a humanidade à beira de um colapso ambiental.


A existência ou não existência do acesso à informação ambiental no Brasil depende do observador. Existe uma diferença entre a informação que se busca, proativamente, e a informação que se recebe, passivamente. Para quem busca a informação ambiental e dispõe dos meios necessários, encontrá-la pode ser relativamente fácil. Entretanto, mesmo para esta parcela de público, que é incluída digitalmente, lê jornais e revistas, e tem um mínimo de conhecimentos de direitos e deveres ambientais, nem sempre a informação que se encontra é a que se quer. Como qualquer outra informação, a ambiental também não está livre da meia verdade, da mentira, da manipulação tendenciosa, da especulação, do exagero, da falta de base científica, do emocionalismo, etc.
Por exemplo, existem leis que asseguram o acesso da sociedade a informações ambientais legais, entretanto, conseguir tais informações não é nada fácil. Só querer e ter as condições e o acesso à internet não bastam. Se a intenção for obter informações, por exemplo, sobre licenças ambientais, TACs (Termo de Ajuste de Conduta), compensação ambiental, a dificuldade será enorme, e se quiser ir mais além, e obter informações sobre as condicionantes - onde estão listados os projetos e obrigações -, então a informação ambiental pode se tornar quase inacessível. Sem algum QI (quem indica) bem posicionado - coisa para poucos iniciados - , obter algumas informações ambientais estratégicas pode ser bem difícil. Às vezes surge uma janela de oportunidade de acesso a informações ambientais ocultas, quando algum insatisfeito de dentro da estrutura resolve criar dificuldade para vender facilidade. Nestes momentos, informações estratégicas podem se tornar acessíveis, mas assim que o ´criador de caso´ conseguir o acerto que procura, a informação irá desaparecer novamente. Existem licenças que chegam a ter mais de 100 condicionantes, e se a imprensa e a sociedade não conseguem acesso a esta informação, muito menos tem como saber o que foi ou não cumprido, e daí não tem como divulgar ou cobrar responsabilidades. Para quem tiver alguma dúvida, faca um teste, escolha uma única empresa e tente obter estas informações ambientais, e então compreenderá o quanto a democratização da informação ambiental no Brasil ainda é uma promessa. E se conseguir, tente descobrir, do que foi comprometido, o que foi efetivamente realizado, e descobrirá que a falta da democratização da informação ambiental não se dá por um acaso. E se eu estiver errado, receberei as críticas com prazer, pois significa que a informação ambiental passou a fluir como deveria para a sociedade.
Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), entre janeiro de 2005 e outubro 2009, o IBAMA deixou de receber 99,4% do valor total das multas aplicadas contra crimes ambientais. Em quase cinco anos, foram R$ 14,6 bilhões não pagos por pessoas e empresas autuadas. Vivemos uma espécie de conto de fadas ambiental. As empresas dizem que cuidam direito do meio ambiente e que a imprensa só gosta mesmo é de notícia ruim. Então, é incompreensível que continuem sendo multadas, se andam tão certinhas... O IBAMA diz que é capaz de exercer o Poder de Polícia, que tem estrutura e competência para isso, e todo mundo acredita, mas não é o que o TCU anda constatando. E se falta estrutura e competência para multar direito e para cobrar dinheiro vivo das multas, que dirá para acompanhar o efetivo cumprimento dos compromissos assumidos nas condicionantes das licenças ambientais, ou em medidas compensatórias ou de ajustes de conduta. E se isso acontece no nível federal, imagine o que pode estar acontecendo nos Estados e Municípios!
O que assegura a continuidade do conto de fadas ambiental é exatamente a falta interesse, de recursos e de prioridade para a democratização da informação ambiental, logo, os problemas não são fruto do acaso, mas são escolhas deliberadas. O desgaste que pode haver para infratores e órgãos ambientais com a falta de transparência é amplamente recompensado pelos benefícios dessa mesma falta de transparência na informação ambiental, por que se a sociedade não sabe, então também não cobra. Já diz o ditado, o que os olhos não vêem o coração não sente! Manter a imprensa e a sociedade organizada longe é uma maneira de se proteger e ganhar tempo. A falta de informação ambiental é o biombo onde algumas empresas e órgãos de governos se escondem da sociedade para fazer de conta que está tudo bem e assim continuarem em sua rota de apropriação da natureza.
Outro exemplo está nos relatórios de sustentabilidade das empresas. Mesmo nos melhores casos, não existe empresa cem por cento correta, nem se espera isso de ninguém, pois a perfeição é utopia presente apenas nos sonhos, nos ideais, nas promessas. O problema é que os relatórios tenderão a divulgar o que acontece de bom e mascarar ou ocultar o que ainda não vai bem, e ainda tende a demonstrar como mérito próprio resultados ambientais que na verdade são obrigações em função de licenciamento ou termos de ajuste. A relação entre o que as empresas lucram retirando da natureza e o que devolvem na forma de projetos ambientais é absolutamente desproporcional. Alguém poderá dizer que isso é da natureza humana, e que mostrar o que vai mal é papel dos críticos. Entretanto, abre uma brecha enorme para a ficção literária, para palavras e promessas até bonitinhas, em papel reciclado, mas vazios de conteúdo e credibilidade. Quando uma empresa divulga, por exemplo, que reduziu em 30 por cento sua poluição, desperdício ou embalagens, na verdade confessa que repassa 70 por cento dos seus custos ambientais para a sociedade, enquanto segue capitalizando lucros. Informação depende de credibilidade, e isso se torna um problema para empresas responsáveis que fazem um trabalho sério, pois tenderão a ser niveladas com as demais, tornando seus relatórios no mínimo suspeitos. Não é à toa que as tiragens são limitadas, mais para o público interno e acionistas, e as empresas não convidem a mídia ambiental para seus lançamentos, muito menos a incluam em seus planos de mídia, para não correrem o risco de perguntinhas inoportunas e desagradáveis nessas horas quando tudo o que se espera é brilho e festa.
Quanto ao acesso da grande maioria da população brasileira à informação ambiental, este se limita ao interesse da mídia de massa pelo assunto que, importante que se diga, com o agravamento das mudanças climáticas, tem se dedicado bastante aos temas ambientais. Entretanto, existe uma tendência – sempre com as raras exceções -, de abordar o assunto mais pelo viés do paraíso perdido do qual fomos expulsos, ou da natureza exótica, violenta, e distante de nós, reforçando a idéia de como é bom estarmos separados da natureza, vivendo em cidades, pois assim também não temos de sentir culpa nem nos sentir ameaçados pelo que fizermos a ela. Ou então quando ocorre algum acidente ambiental. A prática demonstra que, assim que o problema deixa de ser visível, também tende a desaparecer das pautas. O mercado trata a comunicação como um negócio que só vale a pena se der lucro, então a informação ambiental estará presente na pauta enquanto der audiência ou vender jornais e revistas.
É preciso compreender a diferença entre a informação que o público quer - e que se dispõe a pagar por ela - da informação que ele precisa, e que nem sempre se dispõe a pagar para ter. A informação ambiental nem sempre é uma informação que o público se dispõe a pagar para ter. Uma rápida visita a qualquer banca mostrará a realidade. Existem publicações diversas sobre todos os assuntos, menos sobre meio ambiente, excetuando-se uma ou outra publicação sobre turismo e paisagismo. E, para o mercado, a solução é muito simples, se a sociedade não se dispõe a pagar pela informação ambiental, então ela não deve existir. Por outro lado, a falta de interesse do publico pela informação ambiental é compreensível, primeiro por que temos um leque de interesses muito mais amplo que só o ambiental, por que a vida é naturalmente complexa. Segundo, por que a informação ambiental nem sempre serve para entreter e mais incomoda que outra coisa, ao mostrar os abusos contra a natureza, denuncia a poluição e a agressão ambiental, questiona valores consumistas e desperdiçadores, e incomoda até mesmo quando mostra alternativas de tecnologias e atitudes, pois os que optaram por tecnologias e atitudes poluidoras e predatórias não poderão mais argumentar desconhecimento.
Para assegurar a existência e o acesso do público à informação ambiental, os governos deveriam assegurar políticas públicas e recursos, como, aliás, já fazem com a mídia de massa, através de mecanismos de repasse de verbas de publicidade. Mas os governos não são neutros e ainda estão muito mais comprometidos com um modelo de desenvolvimento comprometido com o gigantismo das escalas, com a exportação para gerar excedentes que equilibrem as contas, onde tradicionalmente a natureza teve e tem de ceder. A não ser no campo das idéias e das utopias, a sociedade brasileira ainda está longe de um modelo ambientalmente sustentável e socialmente justo de desenvolvimento, e naturalmente a informação ambiental reflete isso. Quanto mais crítica ela for, quanto mais apontar as contradições entre as práticas e as promessas, menos recursos e audiência terá de quem recebem as críticas. Entretanto, este é o seu papel, e por mais que não gostem de críticas, precisam delas para avançar e aumentar a velocidade das mudanças entre um modelo predatório e injusto de desenvolvimento e outro mais justo e sustentável.
Outra fonte de recursos deveria vir das empresas, entretanto, em vez de ajudar a financiar a informação ambiental, quando querem divulgar alguma coisa, preferem investir no envio de releases em massa na esperança de obter mídia ambiental espontânea. Mais ou menos como acreditar em almoço grátis ou em Papai Noel. Divulgação custa caro, é verdade, mais uma razão para não imaginar que uma mídia ambiental empobrecida vá dar de graça o que tem para vender! As empresas preferem editar folhetos ou publicações próprias, em ambiente controlado, onde não correm o risco de ser alvo de alguma crítica. E, para não se verem expostas a perguntinhas inoportunas sobre outros assuntos, contratam serviços de comunicação de terceiros e ocultam seus telefones e e-mails dos releases.
O tendão de Aquiles dos que negam recursos para a informação ambiental são os voluntários que conseguem manter a democratização da informação ambiental mesmo sem recurso algum, por que não se subordinam às regras do mercado, e teimam em oferecer a informação ambiental como uma espécie de apostolado ideológico, até mesmo para quem não quer pagar por ela. Claro que este trabalho voluntário tem limitações, sejam técnicas ou financeiras, mas ainda assim, presta um importante serviço de interesse público, onde o estado e a iniciativa privada estão falhando.
Como diz o ditado popular, sem povo não se cria nada de novo, por isso, o desafio pela democratização da informação ambiental continua mais desafiador do que nunca, tanto no sentido de falarmos uma linguagem que o povo entenda quanto encontrar os meios que assegurem que a informação ambiental possa ir além dos atuais nichos de publico especializado.


* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br ) e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente ( www.portaldomeioambiente.org.br ). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas – www.escritorvilmarberna.com.br

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Informativo Apoema 88

Informativo Apoema 88
08.02.2011

A edição (disponivel no link http://www.apoema.com.br/informe_apoema88.pdf) traz um texto reflexivo sobre como a Educação Ambiental pode ser inserida às atividades rotineiras da escola, e destaca os princípios do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global como balizadores para atividades educacionais voltadas para a sustentabilidade ambiental, entre outras informações. Bom proveito à todos!

Edições anteriores:
http://www.apoema.com.br/links_para_os_informativos.htm

Endereços para receber informativo por e-mail:
Entrar no grupo: informativo_apoema-subscribe@yahoogrupos.com.br
Enviar mensagem:informativo_apoema@yahoogrupos.com.br

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Absolescência Programada - Vídeo muito bom!

Absolescência Programada - Vídeo documentário muito bom!



Pessoas, assistam!

Precisamos mudar nossa forma de utilizar os recursos naturais reduzindo ao máximo o que extraímos dele e aproveitar ao máximo os materiais que construímos, além de recicla-los quando não servem mais para sua utilidade original.

O vídeo mostra com clareza a nossa falta de comprometimento com o meio ambiente tendo essa postura consumista que enxerga o meio ambiente como um infindável armazém de recursos, como diz o jornalista Vilmar Berna.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Apoema Cursos On-line com inscrições abertas

Apoema Cursos On-line com inscrições abertas
As três modalidades dos cursos de Educação Ambiental à Distância estão com as inscrições abertas, com preços promocionais nas primeiras semanas de fevereiro.

1. Educador Ambiental Escolar (EAE)
2. Capacitação de Educação Ambiental em Documentos Referência (CEADR)
3. Educação Ambiental nas Empresas e Aspectos Pedagógicos (EAEA)
 
Além da promoção, professores e estudantes têm mais 50% de desconto (nos dois primeiros cursos) para inscritos até o dia 21 deste mês (mediante solicitação), quando se iniciam as atividades.

Os descontos serão concedidos apenas para 50 participantes (por semestre), por isto, o quanto antes for realizada a inscrição, maior a chance de obter o desconto para a participação das primeiras turmas deste semestre.

Maiores detalhes e informações são encontradas no site da Apoema Cursos On-line, promovido por Amigos da Natureza e Apoema Cultura Ambiental.

Conheça, participe, divulgue!