terça-feira, janeiro 04, 2011

MATA ATLÂNTICA, CONHECER E VIVENCIAR PARA PRESERVAR

MATA ATLÂNTICA, CONHECER E VIVENCIAR PARA PRESERVAR
Berenice Gehlen Adams (bere@apoema.com.br)


Sendo 2011 o Ano Internacional das Florestas, nada melhor do que preparar material para incentivar um estudo mais aprofundado, a começar pelo bioma da Mata Atlântica que abriga diferentes tipos de florestas. "O artigo pretende apresentar um referencial para o desenvolvimento de atividades com comunidades da Mata Atlântica buscando melhorar a qualidade de vida e promover uma sensibilização para o reconhecimento da importância deste bioma como meio que proporciona vida, e que, se mais devastado, pode gerar problemas irreversíveis." Assim, além de apresentar dados importantes sobre o bioma, apresenta sugestões de atividades que podem ser desenvolvidas em comunidades e podem ser adaptadas para atividades pedagógicas. Bom proveito a tod@s, Bere Adams.


APRESENTAÇÃO

O presente artigo aborda principais características da Mata Atlântica, bioma brasileiro que se configura em um dos mais ricos ecossistemas do planeta, aponta alguns problemas pontuais e sugere a necessidade de execução de projetos de Educação Ambiental para a minimização destes, desenvolvidos por meio de atividades a serem realizadas com as comunidades que vivem neste bioma.

A maior parte da população brasileira, segundo o Atlas Ambiental (2008), vive em áreas que eram ocupadas pela Mata Atlântica. O Almanaque Brasil Sócio Ambiental (2007) indica que a Mata Atlântica é o segundo bioma mais ameaçado do mundo, só perdendo para as florestas de Madagascar, país africano.

Percebendo esta ameaça, compreende-se de fundamental importância a instituição de projetos e programas que incentivem a preservação ambiental deste bioma, tendo em vista o pouco que resta da mata original, ou seja, antes que ela seja completamente destruída ou transformada, provocando danos ambientais irreversíveis, e levando em conta os riscos que correm as comunidades que dependem dos espaços naturais para sua sobrevivência.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

O bioma da Mata Atlântica é composto por ecossistemas localizados nas cadeias de montanhas próximas a zonas costeiras. O processo de devastação tira do cenário natural aproximadamente 93% da área original da Mata Atlântica, que, segundo o Atlas Ambiental (2008) ia do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte.

Atualmente a Mata Atlântica concentra-se, basicamente, do Rio Grande do Sul até o Piauí. Este recorte geográfico, segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica (2009), comporta diferentes formas de relevo, paisagens, características climáticas diversas e a multiplicidade cultural da população que configuram essa imensa faixa territorial do Brasil, sendo a Mata Atlântica o aspecto comum que dá unidade a toda essa região: trata-se do bioma mais rico em biodiversidade do Planeta. Este bioma percorre 1.300.000 km², correspondendo a 15% do território nacional, abraçando 17 estados brasileiros, expandindo-se para o Paraguai e a Argentina, rompendo as fronteiras brasileiras. Ressalta-se, portanto, que este bioma, infelizmente, já foi devastado cerca de 93% de sua formação original.

Florestas da Mata Atlântica

Segundo o Manual de Educação Consumo Sustentável (2005), publicado pelo MMA, o Bioma da Mata Atlântica compreende um conjunto de formações florestais e ecossistemas associados que incluem:


- a Floresta Ombrófila Densa,

- a Floresta Ombrófila Mista,

- a Floresta Ombrófila Aberta,

- a Floresta Estacional Semidecidual,

- a Floresta Estacional Decidual,

- os Manguezais, as Restingas,

- os Campos de Altitude,

- os brejos interioranos; e,

- os encraves florestais do Nordeste.

A Mata Atlântica ocupava 15% do território brasileiro, sendo que hoje restam cerca de 7,8% de sua cobertura florestal original (Manual de Educação Consumo Sustentável, 2005).

Bacias Hidrigráficas da Mata Atlântica

Dados da Fundação SOS Mata Atlântica (2009) destacam a existência de sete das nove maiores bacias hidrográficas brasileiras neste bioma, o que lhe dá uma importância ainda maior, no contexto ambiental, que merece especial atenção em relação a proteção dos processos hidrológicos que ela abrange, uma vez que são responsáveis pela quantidade e pela qualidade da água potável para aproximandamente 3,4 mil municípios, e também para diversos setores da economia nacional, entre eles, a agricultura, a pesca, a indústria, o turismo e a geração de energia.

As bacias hidrográficas pertencentes ao bioma da Mata Atlântica configuram-se como uma rede de bacias que é formada por rios de importância nacional e regional: São Francisco, Paraná, Tietê, Paraíba do Sul, Doce e Ribeira do Iguape (Fundação SOS Mata Atlântica, 2009).

Riquezas Biológicas do Bioma

Conforme a Aliança Mata Atlântica (2009) esta região abriga belíssimas paisagens, cuja proteção é fundamental para o desenvolvimento do ecoturismo, uma das atividades econômicas que mais avançam no cenário econômico mundial e a Mata Atlântica constitui-se num verdadeiro caleidoscópio biológico, pois proporciona uma grande biodiversidade. Estimativas apontam que a Mata Atlântica

[...] abriga 261 espécies de mamíferos (73 deles endêmicos), 340 de anfíbios (253 endêmicos), 192 de répteis (60 endêmicos), 1.020 de aves (188 endêmicas), além de aproximadamente 20.000 espécies de plantas vasculares, das quais aproximadamente metade está restrita ao bioma. (ALIANÇA MATA ATLÂNTICA, 2009, s/p)

Em virtude da riqueza biológica da Mata Atlântica, e das ameaças que o bioma vem sofrendo, segundo aponta a Aliança Mata Atlântica (2009), esta área foi indicada por especialistas como uma das prioridades para a conservação de biodiversidade em todo o mundo. Algumas iniciativas para proteger a Mata Atlântica surgiram somente na década de 70, e que se intensificaram na década de 80 e a cada dia surgem novas iniciativas que zelam pela Mata Atlântica. A conservação deste bioma, portanto, é um grande desafio. Muitas prioridades de conservação são conhecidas, mas há ainda uma tarefa importante a fazer, que é de traduzi-las em ação e colocar em prática estas prioridades utilizando uma linguagem comum, buscando o esforço conjunto para sua efetiva conservação.

Populações tradicionais da Mata Atlântica

As atividades econômicas realizadas pelas populações tradicionais da Mata Atlântica, segundo DIEGUES (2009), são as extrativistas, exercidas por pequenos produtores rurais e comunidades tradicionais, pois seu modo de vida está associado ao uso e manejo dos recursos naturais exercidos nos mangues, restingas e zonas costeiras. Tratam-se de grupos culturais identificados como:

Caiçaras – São comunidades formadas pela mescla da contribuição étnico, cultural dos indígenas, dos colonizadores portugueses e, em menor grau, dos escravos africanos. Têm sua vida baseada em atividades de agricultura itinerante, pesca, extrativismo vegetal e artesanato. O extrativismo caiçara se dá, de um lado, no mar, em restingas e estuários e está associado à pesca e à coleta de crustáceos e moluscos, e, de outro lado, na mata, de onde grande número de espécies de árvores, arbustos, flores, frutos, cipós e frutas é utilizado para uso tanto doméstico quanto comercial. Produzem cestarias, cerâmicas, remédios caseiros, são, em grande parte, responsabilidade feminina. Essas comunidades, hoje, encontram-se ameaçadas em sua sobrevivência. Uma das ameaças está no avanço da especulação imobiliária. Outro fator de risco é que grande parte de seu território transformo-se em áreas naturais protegidas o que resultou em graves limitações a suas atividades tradicionais de agricultura itinerante, caça, pesca e extrativismo, contribuindo para uma migração para as áreas urbanas, onde passaram a viver em favelas e fadados ao desemprego e subemprego.

Jangadeiros - São, essencialmente, pescadores marítimos que habitam a faixa costeira entre o Ceará e o sul da Bahia, pescando com jangadas. Esses pescadores detêm um grande conhecimento da arte de navegação e identificação dos locais de pesca situados longe da costa, e têm demonstrado um grande conhecimento da diversidade das espécies de pescado que capturam, conhecendo a sazonalidade, os hábitos migratórios e alimentares de um grande número de peixes, sobretudo os de fundo. Estes jangadeiros vêm perdendo o acesso às praias, uma vez que suas posses nesses locais estão sendo compradas ou expropriadas pelos veranistas. As atividades em terra são menos importantes que a pesca para comunidades de pescadores marítimos. Porém extraem dos coqueiros uma fonte complementar de renda, realizando também, algumas vezes, roças de mandioca, da qual extraem a farinha. O extrativismo baseia-se principalmente nas espécies de palmeiras das quais se retiram fibras para confecção de instrumentos de lida, tanto pesca quanto na vida doméstica. O artesanato voltado para a venda é uma atividade principalmente feminina, baseado não só em cestaria, mas também em bordados.

Caipiras - São, hoje, em grande parte sitiantes, meeiros e parceiros que sobrevivem precariamente em nichos entre as monoculturas. Desenvolvem atividades agrícolas e de pequena pecuária, cuja produção se dirige para a subsistência familiar e para o mercado. Essas populações desenvolvem formas de convívio e ajuda mútua nas atividades agrícolas, bem como formas de religiosidade peculiares, em torno de capelas e igrejas, onde em domingos e feriados é reverenciado o santo padroeiro. Essa comunidade somente conseguiu subsistir em nichos onde a mecanização agrícola não pôde avançar, como nas áreas montanhosas da Mata Atlântica e da serra do Mar.

Açorianos - São descendentes dos imigrantes açorianos e também dos madeirenses e portugueses continentais, que se estabeleceram no litoral catarinense e rio-grandense a partir de meados do século XVIII, guardando traços culturais próprios, fruto da miscigenação com negros e índios. Esses colonos eram agricultores e pescadores em seus lugares de origem e, quando se fixaram no litoral sul do Brasil, também passaram a combinar a agricultura com a pesca. Com o tempo, os açorianos especializaram-se nas atividades pesqueiras, em detrimento da agricultura. Muitas artes de pesca novas foram introduzidas por esses pescadores nos locais para onde migravam em suas campanhas. Muitos desses pescadores transferiram-se para setor de serviços, atendendo ao grande contingente de turistas nacionais.

Quilombolas - Os quilombolas são descendentes dos escravos negros que sobrevivem em enclaves comunitários, muitas vezes antigas fazendas deixadas pelos antigos grandes proprietários. Sua visibilidade social é recente, fruto da luta pela terra, da qual, em geral, não possuem escritura. A prática do extrativismo pelos quilombolas e conhecimento e uso de ervas medicinais.

Pescadores - Essa categoria de população tradicional está espalhada pelo litoral, pelos rios e lagos e tem um modo de vida baseado principalmente na pesca, ainda que exerça outras atividades econômicas complementares, como o extrativismo vegetal, o artesanato e à pequena agricultura. Apesar de poderem, sob alguns aspectos, ser considerados uma categoria ocupacional, os pescadores, particularmente os chamados artesanais, apresentam um modo de vida particular, sobretudo aqueles que vivem das atividades pesqueiras marítimas. Alguns deles, mesmo vivendo em espaços e lugares definidos neste trabalho como os de jangadeiros e caiçaras, são classificados como pescadores.

Sitiantes – A categoria dos sitiantes é bastante ampla, cobrindo aquelas populações que, apesar de basearem seu modo de vida na agricultura, desempenham também outras atividades complementares, como a pesca, o artesanato, o trabalho assalariado. Podem ser considerados pequenos produtores rurais, morando em pequenas propriedades rurais - os sítios -, nos interstícios da grande propriedade ou em bairros rurais. Ainda que muitos deles dediquem parte de sua produção, sobretudo a agrícola e a da pequena pecuária, para o consumo familiar, eles estão também intimamente vinculados ao mercado, para o qual dirigem parte importante de sua produção. São também dependentes de fragmentos de mata, quando existe em sua propriedade, para a retirada do mel, de ervas medicinais, cipós e fibras para o artesanato, barro para a cerâmica etc. A mão-de-obra dos sítios é principalmente familiar, apesar de, em alguns momentos do ciclo agrícola, utilizarem alguma força de trabalho assalariada ou, ainda, em alguns poucos casos, cada vez mais raros, a cooperação dos vizinhos, por meio do mutirão.

Populações Tradicionais Indígenas da Mata Atlântica - Entre os principais grupos indígenas residentes no Domínio da Mata Atlântica podem-se citar: Guarani (MS/ SP/ RJ/ PR/ ES/ SC/ RS/ Paraguai), Kaingang (SP/ PR/ SC/ RS), Xocleng (SC), Pataxó (BA), Tupiniquim (ES), Krenak e Terena (MS).

Na Mata Atlântica vivem diversas populações tradicionais ao longo da costa litorânea, porém, grande parte localiza-se em encostas de grande declividade, e somente a proteção deste bioma garante a sua estabilidade geológica, evitando verdadeiras catástrofes que já ocorreram onde a floresta foi suprimida.

PROBLEMAS AMBIENTAIS NO ECOSSISTEMA EM QUESTÃO

Serão pontuados, a seguir, os principais problemas enfrentados pelo bioma para uma proposição de programas que possam ser desenvolvidos, relacionados com a Educação Ambiental, para melhorar a qualidade de vida na Mata Atlântica.

1. A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. Hoje está reduzida a menos de 8% de sua extensão original, segundo os resultados recentes apontados em pesquisa desenvolvida pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Sua extensão original era de mais de 1.290.000 km2 do território nacional, estendendo-se desde o Nordeste Brasileiro até o Rio Grande do Sul. A colonização do Brasil iniciou o processo de devastação da Mata Atlântica que veio ampliando, refletindo-se nas paisagens o domínio humano sobre as matas. Grande parte dos ecossistemas naturais foi eliminada nos ciclos desenvolvimentistas, o que resultou na destruição de habitats extremamente ricos em recursos biológicos.

3. A região foi devastada para dar lugar a produção agrícola, e hoje se configura como importantes pólos industriais e silviculturais do Brasil, comportando, também, aglomerados urbanos. As últimas três décadas acentuaram o grau de devastação que promoveram severas alterações nos ecossistemas do bioma, pela fragmentação do habitat e pela perda da biodiversidade. Animais e plantas do bioma estão ameaçados de extinção. Muitas nações indígenas que habitavam a região no período da colonização foi dizimada, sendo que as restantes vivem em situação precária, em terras ameaçadas.

3. A destruição das florestas tropicais é preocupante e mobiliza iniciativas do mundo todo para possibilitar a reversão deste triste quadro ambiental atual. Para a Empresa de Consultoria Ambiental ECP (2009), essa preocupação global se deve ao fato de que o desmatamento é acompanhado da deterioração dos solos e das reservas hídricas, podendo promover catástrofes naturais de grandes proporções, colocando em risco a enorme biodiversidade da fauna e flora, além de destruir o ambiente natural das comunidades locais, provocando a perda da fonte de matéria-prima, o que gera todo tipo de risco para a estabilidade social e política. Além de tudo isto, há as conseqüências sobre o clima mundial, acelerando o processo do aquecimento global.

4.As bacias hidrográficas pertencentes ao bioma da Mata Atlântica abrigam muitos ecossistemas aquáticos, e, conforme dados da Fundação SOS Mata Atlântica (2009) grande parte destes estão ameaçados pela degradação das matas ciliares, pela poluição da água, e pela construção de represas de forma inadequadas.

Além destes problemas, as comunidades locais sofrem, pois cada dia que passa perdem seu espaço, seus recursos, e a qualidade de vida fica comprometida.

SOLUÇÕES PARA OS PROBLEMAS AMBIENTAIS NO ECOSSISTEMA EM QUESTÃO

Como é possível perceber pelo exposto acima, a Mata Atlântica sofre diferentes tipos de ameaças graças ao avanço da civilização sobre as florestas, deixando, assim, um rastro de devastação e problemas para as populações locais. Precisamos urgentemente de programas e propostas que visem minimizar estes impactos, bem como recuperar danos e promover qualidade de vida para a população. Santos e Câmara (2002) indicam duas recomendações que conduzam a uma significativa mudança de atitudes diante os desafios frente aos problemas presentes na Mata Atlântica, para restabelecer um modo de vida que possa ser sustentável, diminuindo e prevenindo danos ao bioma. Uma delas é a de buscar melhorar a qualidade de vida em aglomerações urbanas. A segunda recomendação é a de realizar ações que garantam tanto a preservação quanto a exploração de recursos na forma do manejo sustentável. Opta-se, portanto, por idealizar iniciativas relacionadas à primeira recomendação, pois é neste contexto que a Educação Ambiental assume papel importante como ferramenta que possibilite ações que promovam significativas mudanças.

Para minimizar, então, alguns dos problemas apontados no decorrer deste artigo, sugere-se o desenvolvimento de programas que ofereçam atividades de Educação Ambiental em escolas, associações e comunidades, promovendo e incentivando a sensibilização, as artes, eventos culturais e feiras que possibilitem diferentes vivências e experiências de forma que toda comunidade envolvida tenha consciência do processo de redução da Mata Atlântica, e de como pode ficar se cada um participar do processo de transformação. Incentivar pesquisas, entrevistas, oficinas sobre a história do bioma, etc. Entende-se que a promoção destas atividades auxiliem na construção de uma cidadania ambiental, que redescubra o valor de pertencer ao bioma da Mata Atlântica.

As atividades podem ser desenvolvidas por módulos itinerantes, com associações de bairro, igrejas, de forma que envolva a comunidade na busca de respostas para:


Projeto integrado: Eu, minha comunidade e o lugar onde moro

Objetivo geral: despertar o interesse de grupos comunitários para melhorarem o lugar onde moram (tendo como pano de fundo o bioma Mata Atlântica)

Desenvolvimento: Organizar encontros esporádicos e realizar diferentes oficinas que envolvam toda comunidade, trabalhando três temáticas:

QUE LUGAR É ESTE?;

O QUE TEM NESTE LUGAR?

COMO É A MINHA CASA, E COM QUEM CONVIVO?

Elaborar relatório permanente de todas as atividades realizadas.

Resultados esperados: Melhoria da auto-estima e da qualidade de vida das pessoas das comunidades trabalhadas e publicação dos resultados para replicação do projeto.

Questões e atividades propostas cada módulo:

- MÓDULO 1: QUE LUGAR É ESTE?

O que havia aqui que não há mais? Quem viveu aqui antes de nós? Quais costumes existiam, e hoje foram deixados para trás? Como viviam nossos antepassados? Como era a Mata Atlântica? Quais aparelhos dispunham para suas atividades rotineiras? Como são as pessoas com quem convivo? (...)

Atividades propostas:

- a realização de pesquisas em forma de gincanas solidárias;

- promover palestras com pessoas ativas na comunidade;

- promover rodas de conversas com pessoas mais velhas e experientes que falem do lugar onde moramos;

- organizar um passeio turístico pela cidade observando aspectos culturais e ambientais;

- buscar referenciais da literatura local e realizar eventos culturais trazendo dramatização de lendas e histórias;

- elaborar um informativo sobre as descobertas na pesquisa; e,

- oferecer um espaço onde cada um possa expressar o que o lugar onde vive representa para ele

MÓDULO 2: O QUE TEM NESTE LUGAR?
Quais são os animais que vivem próximos de mim? Como eles são? O que comem? Por que são importantes? Quais são as plantas que existem próximas de mim? Qual a importância das plantas? Como cultiva-las? Quais são suas propriedades? O que é ecossistema? (...)

Atividades propostas:

- dinâmicas de grupo que incentivem a união dos grupos e possibilite a compreensão de que tudo está interligado - como o cordão que forma uma grande teia – para fortalecer laços e o grupo como um todo ;

- debates entre pessoas ativas na comunidade que conheçam a flora e a fauna local;

- organizar uma biblioteca comunitária com livros, periódicos, revistas sobre a Mata Atlântica;

- palestras ou rodas de conversas com pessoas mais velhas e experientes;

- buscar referenciais da literatura local sobre a biodiversidade que existe na comunidade onde está sendo desenvolvido o projeto

- apresentar sessões de vídeo documentários, sobre o bioma Mata Atlântica a serem comentados por especialistas;

- realizar oficinas de plantas medicinais;

- fazer uma coletânea de receitas antigas;

- realizar atividades de trilhas interpretativas; e,

- promover pequenas palestras com pessoas da comunidade que desenvolvem trabalhos significativos de preservação ambiental.

MÓDULO 3: COMO É A MINHA CASA? COMO SÃO AS PESSOAS COM QUEM CONVIVO?

De que é construída minha casa? Está em área segura? Como posso melhor aproveitar meu espaço? O que posso plantar? Como é a minha comunidade? Como está o meu bairro? Quais são as minhas origens? De que forma posso contribuir para cuidar da Mata Atlântica? (...)

Atividades propostas:

- dinâmicas de grupo que induzam as pessoas a falarem de suas origens – pode se utilizar uma brincadeira com nomes e sobrenomes ;

- conhecer as diferentes comunidades que fazem parte da Mata Atlântica e identificar-se com alguma delas;

- realizar caminhadas pelo bairro observando as moradias e estabelecimentos comerciais;

- fazer levantamentos sobre as necessidades das pessoas e buscar ajuda para soluções;

- realizar uma feira cultural, onde cada participante apresenta algo manufaturado (comida, artesanato, utensílio) que tenha aprendido em casa ou com parentes. Se alguém não souber nada, solicitar que este auxilie na pesquisa e planejamento da feira, possibilitando seu envolvimento;

- após a feira, propor oficinas cujo tema pode ser “É assim que eu faço” onde um ensina o outro algo que sabe, podendo ser organizadas de acordo com que o grupo decidir.

- apresentar sessões de vídeo documentários sobre os índios da Mata Atlântica;

- realizar atividades culturais como feiras de trocas solidárias;

- pesquisar histórias folclóricas que tratam das comunidades daquele grupo e da Mata Atlântica;

- elaborar um relatório das atividades realizadas que poderá resultar em uma publicação.

Modo de aplicação: Três (3) a quatro(4) encontros de 4h, para cada módulo, em finais de semana, totalizando 36hs de atividades.

Considerações finais do projeto: no desenvolvimento do projeto, novas questões poderão surgir e deverão ser levadas em conta para que todos envolvidos sintam-se parte do processo de aprendizagem. Esta proposta pretende ser bastante flexível e servir apenas como um passo inicial de uma proposta de Educação Ambiental mais ampla, que promova a melhoria da qualidade de vida, em todos os sentidos: físico, mental, social, ambiental, das comunidades carentes – ou não, pertencentes a regiões urbanizadas – ou não, do bioma Mata Atlântica.

CONCLUSÃO

O artigo pretende apresentar um referencial para o desenvolvimento de atividades com comunidades da Mata Atlântica buscando melhorar a qualidade de vida e promover uma sensibilização para o reconhecimento da importância deste bioma como meio que proporciona vida, e que, se mais devastado, pode gerar problemas irreversíveis.

Entende-se que se as pessoas das comunidades nativas, que dependiam exclusivamente das atividades de pesca e de plantio e colheita para sua sobrevivência, e que estão perdendo seus referenciais pelos avanços da urbanização, é dever nosso olhar para estas comunidades, por vezes tão mal interpretadas, tão abandonadas e esquecidas, pois são estas mesmas pessoas marginalizadas que nos dão os mais belos exemplos de vida.

REFERÊNCIAS:

ALIANÇA MATA ATLÂNTICA, Sobre o Bioma da Mata Atlântica. Documento disponível em: < http://www.aliancamataatlantica.org.br/bioma.htm > Data de acesso: 22/04/2009.

ALMANAQUE BRASIL SOCIOAMBIENTAL.. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2007.

ATLAS AMBIENTAL. São Paulo: DCL: Artetexto Publicações: Envolverde Editora, 2008.

CONSUMO SUSTENTÁVEL: Manual de educação. Brasília: Consumers International/ MMA/ MEC/IDEC, 2005.

DIEGUES, A. C. Sustentável Mata Atlântica. Documento disponível em: < http://www.rbma.org.br/anuario/mata_05_populacao.asp > Data de acesso em: 26/04/09.

MATA ATLÂNTICA, Fundação SOS Mata Atlântica. Documento disponível em: Data de acesso: 26/04/2009.

SANTOS, T.C.C., CÂMARA, J.B.D. (Org.). GEO Brasil 2002: perspectivas do meio ambiente no Brasil. Brasília : IBAMA, 2002.

SOLUÇÕES AMBIENTAIS EXTRAORDINÁRIAS. Visão do Governo alemão. Disponível em < http://www.auditoriaambiental.com.br/artigos/11.pdf > Data de Acesso: 26/04/09.

Listagem de links para vídeos sobre a Mata Atlântica

Os últimos refúgios da Mata Atlântica

http://www.youtube.com/watch?v=bi69FbaMCcA&feature=related

E você, tem sido um bom vizinho da Mata Atlântica?

http://www.peabirus.com.br/redes/form/comunidade?id=304


Mata Atlântica

http://www.youtube.com/watch?v=HV18GExmu8s&eurl=http%3A%2F%2Fwww%2Evivaterra%2Eorg%2Ebr%2Fmataatlantica%2Ehtm&feature=player_embedded


Dia da Mata Atlântica 2005 Florianópolis - Report. RBS TV 2

http://www.youtube.com/watch?v=SlZxL5quIrk&feature=related

Série Mata Atlântica - TV TEM/Globo News - Luciene Miranda

http://www.youtube.com/watch?v=hwbnaT2O9EA

MATA ATLÂNTICA ... A SEGUNDA FLORESTA MAIS AMEAÇADA DO MUNDO

http://www.youtube.com/watch?v=ygyf2JaPDRY&feature=related

Sem florestas não há clima

http://www.youtube.com/watch?v=U0p8qQY-kY4&feature=related

MATA ATLÂNTICA

http://www.youtube.com/watch?v=WXPKPtbJMh8



Façam bom proveito. O artigo poderá ser utilizado desde que citada a fonte e autor:

ADAMS, B. G. Mata Atlântica conhecer e vivenciar para preservar. Disponível em: http://projetoapoema.blogspot.com/ , JAN/2011

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