quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Uma batalha injusta, mas não perdida

Uma batalha injusta, mas não perdida

Berenice Gehlen Adams


Somos soldados de uma batalha injusta, como a de anões lutando contra gigantes. E nós somos os anões, lógico!



Apesar disto, somos persistentes e com muito esforço abrimos mão de comodidades e confortos idealizados a partir da Era Industrial. Deixamos de consumir alimentos industrializados, damos preferência para produtos “ecológicos”, encurtamos o tempo debaixo do chuveiro, utilizamos aparelhos de forma racional, reciclamos materiais, plantamos. Não queremos ser apenas consumidores do Planeta. Idealizamos alcançar a utopia de um mundo melhor, mais equilibrado, ou pelo menos, andar na sua direção, já que utopia, por definição, é algo que nunca se alcança. Mesmo assim, a perseguimos. Todos sabemos que é necessário preservar a natureza! Lemos diariamente que é imprescindível minimizar os impactos que causamos ao meio ambiente e cada vez mais ouvimos falar que é preciso preservar. E tentamos cumprir esta missão, a de reverter, em equilíbrio, o caos ambiental.


Por outro lado, em prol do desenvolvimento energético do País, discute-se o que a meu ver é indiscutível: a possibilidade real da construção da usina hidrelétrica Belo Monte, dentro do bioma mais importante do mundo, o da Amazônia, o que fará “sangrar” com água, o coração da maior floresta do Planeta. Alguns especialistas e formadores de opinião descaradamente afirmam que os impactos serão mínimos e que ambientalistas exageram em suas interpretações, pois afinal de contas, o lago da usina ocupará uma área de apenas 516 km², ora! Para que esse alarde?


Assim, os ânimos das pessoas conscientes se alteram. Resolvemos aceitar o desafio de defender a Amazônia desta atrocidade. Nos posicionamos em protestos, assinamos petições e participamos de mobilizações. Confrontamos um gigante chamado Belo Monte.


Quem vencerá esta batalha? De uma coisa estou certa, se a perdermos, estaremos fadados a “sobreviver” em florestas de pedras e sem flores! Seria muito triste, a vida de nossos netos.

 
Fonte: Jornal NH 23/02/2011 p.12

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