quinta-feira, abril 28, 2011

Como se nada tivesse ocorrido

Como se nada tivesse ocorrido



Berenice Gehlen Adams

 
Este ano nem bem chegou à sua metade e já esbanja uma gama de desafios, muitos de cunho intransponíveis: catástrofes naturais com consequências ambientais incalculáveis; trânsito que se mostra cada vez mais caótico; violências terríveis comprometendo a coletividade; e, números assustadores da produção de lixo que invade ar, terra e água, seja doce ou salgada.


É! O ano de 2011 vem mostrando sua cara e sua coragem pelos acontecimentos que têm deixado o ser humano bem pequenino, tal qual somos, um minúsculo grão de areia.


Porém, tudo permanece na mesma! Tudo permanece como se o problema das usinas nucleares do Japão não tivesse nada a ver com um tipo sujo de geração de energia; como se as montanhas de florestas que se desmancham - enterrando seres humanos com seus sonhos não tivessem nada a ver com ocupação urbana desenfreada; como se as usinas hidrelétricas nada tivessem a ver com mudanças climáticas; e, como se a criação de gado nada tivesse a ver com o desmatamento e com o aquecimento global.


Apesar disso, em nome do poder econômico, as grandes potências preferem arriscar perpetuando um sistema de produção e consumo que comprovadamente é insustentável, e que nos é empurrado goela abaixo.


Não é de hoje que o poder público sede a pressões de grandes corporações permitindo que se alterem cursos de rios, alagando enormes áreas de terra em nome do “desenvolvimento energético”; permitindo que se produza energia a partir de verdadeiras bombas-relógio, isto sem falar na forma como estão produzindo nossos alimentos, alterando ecossistemas inteiros com transgênicos.


É lamentável ver que somente depois de eventos desastrosos ocorridos é que o poder público esboça alguma reação de pesar. Nestes momentos as autoridades estão na mídia com lágrimas nos olhos. Nestes momentos renasce a esperança em mudança desse injusto e fatídico sistema, porém, passados poucos dias, tudo volta “ao normal”, como se nada tivesse ocorrido...


Fonte: Jornal NH/RS - 18/04/2011 p.12

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