segunda-feira, agosto 15, 2011

Concepção Errônea


Concepção errônea

Berenice Gehlen Adams

A humanidade se desenvolveu com uma concepção de meio ambiente equivocada, percebendo-o como um infindável shopping de mercadorias. Esta percepção se perpetua através de diferentes hábitos culturais. O consumo, portanto, é a principal engrenagem que movimenta e sustenta o atual modelo societal. Este modelo, porém, deverá sofrer grandes transformações, uma vez que, em curto prazo, conforme prognósticos científicos, não haverá recursos suficientes para manter esta cultura do consumo que provocou (e ainda provoca) incontáveis problemas ambientais, muitos de caráter irreversíveis como a extinção de animais e plantas, devastação química, barramentos de rios, alterações de ecossistemas, entre outros.  

Foi com esta concepção errônea que a humanidade dominou todas as formas de vida, se contrapondo a visão ecológica, holística e sistêmica de meio ambiente. Houve um tempo, na Grécia, que a educação primava pela formação integral do ser humano. O autoconhecimento, proferido pelos antigos filósofos gregos, buscava promover mudanças de postura do ser humano em relação ao ambiente. Mas, foi o conhecimento científico, fragmentado, o mesmo que distancia o ser humano do seu ambiente, que perpetuou até os dias atuais. Quando o filósofo Sócrates circulava pelas ruas atenienses e era questionado por vendedores se estaria precisando de alguma coisa, ele simplesmente respondia: “Não! Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz”. 

Alterar este modelo que sustenta a sociedade do consumo é o maior desafio a ser enfrentado na atualidade. A Organização das Nações Unidas indica que a enorme perda de vida dos ambientes naturais deve se tornar irreversível se os objetivos globais para impedir as perdas não forem atingidos o mais rápido possível. Ahmed Djoghlaf, membro da ONU, salienta que estamos chegando a um ponto sem retorno, a menos que tomemos atitudes urgentemente. 



Jornal NH - 15/08/2011 - p12.

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