segunda-feira, outubro 17, 2011

A falta que faz o velho Stanislaw Ponte Preta (Abordagem sobre falsas ações empresariais "verdes" - BA)


A falta que faz o velho Stanislaw Ponte Preta
13/10/11 07:35 | Luciano Martins Costa - Jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade

Estivesse vivo, o colunista Stanislaw Ponte Preta, que no civil atendia pelo nome de Sérgio Porto, certamente teria material mais do que suficiente para produzir um "Febeasus - festival de besteiras que assola a sustentabilidade".

Como no original Febeapá, livro em três volumes, o primeiro lançado em 1966, uma eventual versão contemporânea dedicada exclusivamente ao besteirol relacionado a questões ambientais e sociais teria material para uma enciclopédia.

Tomado com rigor o conceito de sustentabilidade, boa parte das campanhas do que se chama comumente "marketing verde" poderia compor verbetes hilários de um "Febeasus".

Da mesma forma, e no lado oposto, também há propostas de organizações ambientalistas que, confrontadas com a realidade objetiva, preencheriam capítulos inteiros de uma publicação ponte-pretana. Assim como no Febeapá original, não se pode precisar quando teria começado o festival de sandices em torno da sustentabilidade.

Mas certamente a divulgação do 8º Relatório do Comitê Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas patrocinado pela ONU e publicado em fevereiro de 2007 pode ser considerada um ponto de partida. Esse acontecimento teve o condão de fazer brotar ambientalistas por todo lado e de transformar notórios predadores em ecologistas credenciados.

Os aspectos mais preocupantes do fenômeno climático foram alardeados por toda a imprensa e os comunicadores corporativos entenderam que esse era o mote da década.

Legisladores de variadas instâncias despertaram para o valor eleitoral do "verde". Assim, tanto as políticas públicas como as estratégias de empresas começaram a se assemelhar a uma lagosta, com a pata ambiental hipertrofiada e os demais aspectos do negócio - público ou privado - relegados a tema de segunda categoria. Ao mesmo tempo, desdenha-se o principal no que se refere ao desafio do desenvolvimento sustentável.
Uma das consequências mais claras é o ponto a que chegaram os debates para a reformulação do Código Florestal, que resultaram numa proposta inaceitável para os mais rigorosos padrões que as circunstâncias exigem.

Obnubilados pelo brilho do "verde", tanto os legisladores como a sociedade em geral tem deixado crescer no Congresso Nacional a influência dos representantes do que há de mais conservador no empresariado rural. Enquanto isso, discutem-se platitudes - como a proposta de obrigar os proprietários de imóveis a pintar seus tetos de branco.


Proliferam junto às prefeituras "consultorias ambientais" cuja especialidade é formular propostas carregadas de excelentes intenções. O posto de secretário do Meio Ambiente, antes um cargo desprezado por políticos espertos, transformou-se em pódio capaz de transformar neófitos em especialistas.

Não importa se o titular sabe diferenciar um pé de alface de uma samambaia.

Em junho do ano que vem, o Rio de Janeiro vai sediar a Conferência da ONU Rio+20, com uma pauta tão ambiciosa quanto improvável, no cenário de crise que domina o estado do mundo. Será o embate entre os especialistas e os embusteiros. Stanislaw vai fazer falta.

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Luciano Martins Costa é Jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade
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